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PCP vai abster-se na votação da moção apresentada pelo Chega

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O PCP vai abster-se na votação da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, adiantou à agência Lusa fonte do grupo parlamentar.

Adeputada única do BE, Andreia Galvão, irá também abster-se na votação desta tarde, segundo fonte oficial dos bloquistas.    A moção de censura, que é debatida e votada esta tarde no Parlamento, tem chumbo garantido, uma vez que só deverá contar com o voto favorável do proponente.

No fim de semana, durante a Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP considerou existirem várias razões para censurar o Governo, mas recusou alimentar a "agenda demagógica e mentirosa" do Chega.

Paulo Raimundo recusou-se a anunciar o sentido de voto do partido durante o fim de semana, para não condicionar a rentrée do PCP "à agenda de outros".

No domingo, no comício de encerramento da festa, o secretário-geral criticou a "política de desastre" do Governo, considerando que "merece censura", mas considerou que também "são censuráveis" aqueles que a apoiam e viabilizam, nomeadamente Chega, PS e IL.

Este fim de semana, no Porto, o coordenador do BE, José Manuel Pureza, defendeu que a moção de censura do Chega visa diminuir a investigação a Luís Neves.

"Havendo estas cinco investigações, havendo uma comissão parlamentar de inquérito criada para este efeito, creio que a apresentação de uma moção de censura [pelo Chega] não serve para outra coisa senão para diminuir o espaço de investigação que é devido ao país", afirmou o líder bloquista.

A Assembleia da República debate e vota hoje a moção de censura do Chega ao Governo, centrada na manutenção do ministro da Administração Interna, Luís Neves, no executivo, e que tem chumbo garantido.

A moção intitula-se "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições" e é a primeira ao XXV Governo Constitucional.

Na apresentação da moção, na quarta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, disse ter "o objetivo claro de censurar o primeiro-ministro e o Governo pela manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna".

Luís Montenegro classificou a moção como "mero jogo político" sem sentido, considerou que o ministro da Administração Interna tem mostrado aptidão para resolver os problemas nos seus setores de responsabilidade, e assegurou estar tranquilo em relação a todos os membros da sua equipa governativa.

Para ser aprovada - o que implicaria a demissão do Governo -, a moção de censura teria de ter o voto favorável de 116 deputados, hipótese já afastada, uma vez que o PS anunciou que vai abster-se.

Esta será a primeira vez que a Assembleia da República discute uma moção de censura fora do período efetivo de funcionamento e ainda na primeira sessão legislativa da XVII legislatura.

A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional, a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro e a 37.ª em democracia.

Esta será a quarta vez que o partido liderado por André Ventura recorre a este instrumento: duas vezes na XV legislatura contra o último Governo do PS liderado por António Costa e, com a discutida hoje, duas a executivos da AD.