Chega continuará a dialogar com Governo e já em reunião sobre o Orçamento de Estado
O presidente do Chega afirmou hoje que continuará a dialogar com o Governo "em áreas fundamentais", mesmo após o provável chumbo da moção de censura, adiantando que recebeu um pedido de reunião do executivo sobre o Orçamento do Estado.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura foi questionado sobre se as relações entre o Chega e a AD (coligação PSD/CDS) vão mudar após o debate e votação da moção de censura apresentada pelo seu partido ao executivo de Luís Montenegro, e que tem chumbo anunciado.
O líder do Chega respondeu que, no que toca ao ministro da Administração Interna - cujas polémicas motivaram a apresentação da moção de censura ao Governo - "há uma rutura total", mas o partido "tem de continuar a dialogar" com o executivo "em áreas fundamentais, como a segurança, a justiça, etc...".
"O Chega não viabilizou nenhum Orçamento do Estado da AD, mas dialogou e dialoga em todos os dossiês que sejam importantes para o país", indicou.
Nesta conferência de imprensa, André Ventura disse também que o partido recebeu um "pedido de reunião sobre o Orçamento do Estado", a cerca de um mês da data da apresentação do documento, mas não adiantou mais pormenores.
Apesar de o chumbo da moção de censura ao Governo ser o desfecho mais provável, o presidente do Chega apelou à "coerência e consistência" dos restantes partidos da oposição na hora de votar e considerou que o resultado vai indicar quem quer a continuidade do ministro da Administração Interna ou não.
André Ventura considerou que o problema de alguns partidos "é ser o Chega a apresentar a censura" e argumentou que o papel do seu partido é "liderar essa oposição".
Ventura admitiu que avançar com uma moção de censura "não era o cenário desejável, não era o cenário ideal para as instituições", mas afirmou que o Chega tentou "por todos os meios que esta questão se resolvesse por outra via".
"A razão de ser desta moção de censura tem que ver com uma teimosia, com um autoritarismo, com uma incongruência e uma falta absoluta de padrão ético por parte do primeiro-ministro em relação a Luís Neves. Há alguns dias que esta deixou de ser uma questão de Luís Neves, passou a ser uma questão do primeiro-ministro sobre Luís Neves", sustentou.
Questionado se admite retirar a moção de censura caso as explicações que o ministro der no Parlamento, na terça-feira de manhã, sejam suficientes, o deputado assinalou que o ministro já teve "infinitos momentos para dar explicações", mas "aumentou ainda mais as suspeitas que existiam", e insistiu que Luís Neves não tem condições para continuar no Governo.
Ventura foi ainda questionado sobre a investigação à alegada invasão ao seu gabinete, no final de julho, inquérito ao qual o Ministério Público deu caráter urgente, e disse não ter dados novos, remetendo para a Polícia Judiciária.
O líder do Chega reiterou que espera "mesmo que se descubra quem foi, quando foi e porque foi".
Na ocasião, André Ventura reagiu de viva voz à vitória do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições no estado da Saxónia-Anhalt - depois de já o ter feito na rede social X -- e considerou que se tratou de "um abrir de olhos" dos eleitores alemães e "um grito de revolta histórica contra o que está a acontecer".
O presidente do Chega afirmou que a "Alemanha é muito diferente de Portugal e o Chega é muito diferente da AfD", mas questões como a "imigração descontrolada" afetam os dois países.