Enviados de Trump consideram "muito significativas" conversas com Zelensky
Os enviados do Presidente norte-americano, Donald Trump, para procurar acabar com a guerra na Ucrânia afirmaram hoje que as primeiras conversações em Kiev com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foram "muito significativas" e permitiram "aprender muito".
O enviado Stefe Witkoff classificou as conversas como "muito significativas", afirmando esperar "continuar isto pelo tempo que for necessário", segundo a agência France-Presse (AFP).
"Esperamos que esta viagem tenha aberto novas vias para avançar. Acho que aprendemos muito com esta viagem", disse, por seu lado, Jared Kushner, genro de Trump.
Os dois representantes da Casa Branca reuniram-se hoje com o Presidente Zelensky -- pela primeira vez em Kiev -, depois de, na véspera, terem sido recebidos no Kremlin pelo líder russo, Vladimir Putin.
Após o encontro em Kiev, teve início uma sessão de conversações envolvendo os dois enviados dos EUA, a delegação ucraniana e responsáveis pela segurança nacional da União Europeia.
Na sexta-feira, Trump declarou que Witkoff e Kushner levariam a Moscovo e Kiev "uma proposta para acabar com a guerra" iniciada com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Desde que regressou à Casa Branca no início de 2025, Donald Trump iniciou várias rondas de negociações para encontrar uma saída para a guerra desencadeada pela invasão russa de 2022, a mais mortífera na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mas estas tentativas até agora não levaram a qualquer progresso concreto.
Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram de comboio à estação central de Kiev no final da manhã.
As negociações estagnaram principalmente na questão territorial, com Moscovo a exigir que o exército ucraniano se retire totalmente da região oriental de Donetsk --- o seu objetivo prioritário ---, o que Kiev recusa categoricamente.
Vladimir Putin falou durante três horas no sábado à noite com Steve Witkoff e Jared Kushner, uma conversa que o conselheiro do Kremlin, Yuri Ushakov, descreveu como "construtiva, extremamente franca e cheia de confiança".
Segundo Ushakov, os representantes dos EUA "apresentaram várias ideias sobre possíveis caminhos que conduzam a um acordo".
A parte russa "expressou confiança na concretização dos objetivos definidos", acrescentou, sem revelar quais.
Um porta-voz da Casa Branca disse mais tarde à AFP que os dois enviados tinham "discutido planos substanciais para os próximos passos, que serão anunciados nas próximas semanas".
"A situação não é, claro, simples", comentou o Presidente russo, ao receber os dois enviados no Kremlin.
O Presidente dos EUA não especificou se a proposta transmitida pelos seus enviados envolveria uma cedência de território pela Ucrânia, como já tinha sugerido, limitando-se a dizer: "Temos uma ideia para a paz".
Atribuiu também a guerra a um "problema de personalidade" entre Zelensky e Putin.
Por ocasião destas novas conversações, Vladimir Putin decretou a cessação dos ataques a Kiev por três dias, de sábado a segunda-feira. Por seu lado, Volodymyr Zelensky anunciou a cessação dos ataques a Moscovo durante o mesmo período.
Noutras partes da Ucrânia e da Rússia, as hostilidades continuam.
Na noite de sábado, Moscovo atacou a Ucrânia com 108 drones e mísseis S8000 Banderol, informou a força aérea ucraniana, alegando ter abatido a maioria deles e especificando que 11 locais no país foram, no entanto, atingidos por estes bombardeamentos.
Segundo Kiev, pelo menos três pessoas morreram hoje em ataques russos, enquanto Moscovo relatou que três civis morreram e quatro ficaram feridas em ataques ucranianos nas últimas 24 horas.
Por sua vez, o exército russo afirmou ter neutralizado 258 drones ucranianos lançados contra a Rússia durante a noite.
Um incêndio afetou uma empresa na cidade de Ryazan, a sudeste de Moscovo, segundo o governador, com o órgão de comunicação russo ASTRA a afirmar que se tratava de uma refinaria.