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Incêndios Madeira

Freira-da-madeira mantém-se estável após ameaça de 2024

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Foto DR/IFCN/Facebook

A população de freira-da-madeira, uma ave marinha endémica do arquipélago da Madeira, em perigo de extinção, mantém-se estável apesar de o incêndio em 2024 ter ameaçado a área de nidificação, indicou o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza.

"Com a possibilidade de o fogo chegar à área nidificação principal conhecida, no dia 21 de agosto de 2024 foram retiradas cinco aves juvenis dos seus ninhos e translocadas para o Centro de Recuperação de Aves Selvagens (CRAS) a fim de serem cuidadas até uma possível devolução aos ninhos", explica o instituto em nota envida à Lusa.

A freira-da-madeira (Pterodroma madeira) nidifica nas montanhas entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo, no Maciço Montanhoso Oriental da ilha da Madeira, e, naquele ano, foram sinalizados 112 ninhos, sendo que 72 estavam ativos, com registo de 30 nascimentos.

Já 2025, foram contabilizados cerca de 73 ninhos ativos, com o registo de cerca de 41 juvenis.

"Apesar de os incêndios em agosto de 2024 terem ameaçado a freira-da-madeira, a população conhecida tem-se mantido estável, com sucesso reprodutor na ordem dos 40-50%", refere o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFNC).

O fogo lavrou durante 13 dias consecutivos, entre 14 e 26 de agosto, e percorreu uma área de 5.116 hectares, entre os concelhos da Ribeira Brava, Ponta do Sol, Câmara de Lobos (na zona oeste) e Santana (na costa norte), onde atingiu a cordilheira central.

As chamas consumiram também 139 hectares de floresta laurissilva, que ocupa um total de 15.000 hectares e é património mundial da UNESCO, e, ao atingirem os picos mais altos da ilha, ameaçaram os ninhos da freira-da-madeira, considerada uma das aves marinhas mais raras do mundo.

O resgate dos cinco juvenis foi coordenado pela Direção de Serviços de Conservação de Natureza, contando com o Corpo de Vigilantes da Natureza, equipas de veterinários em estágio do CRAS e técnicos do projeto LIFE Freiras, que decorre desde 2022 e visa a proteção da espécie.

"Dois dias depois [em 23 de agosto], as aves foram devolvidas aos seus ninhos, sendo que o fogo estava extinto na área", refere o IFNC, sublinhando que "os ninhos continuaram a ser monitorizados e os juvenis acompanhados até finalizar a época".

O projeto LIFE Freiras incide também no combate às plantas invasoras em redor das áreas de nidificação da freira-da-madeira, nomeadamente a giesta.

De acordo com o IFNC, organismo tutelado pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, em 2023 e 2025 foi realizado o controlo manual de cerca de 10 hectares, assegurando uma redução de 60% de giesta e promovendo a recuperação da vegetação nativa em 57% da área intervencionada.

"Verificou-se que o banco de sementes do solo é rico e duradouro, pois após a remoção da giesta verificou-se um aumento de 15 para 88 da taxa de plantas indígenas", adianta o instituto, explicando que a estratégia de corte rente do solo permite zonas de não ensombramento, com a recuperação da vegetação proveniente do banco de sementes natural do solo.