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Madeira

Reserva Agrícola e taxa turística entre propostas para apoiar sector

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A criação de uma Reserva Agrícola da Madeira e a afectação de parte das receitas da taxa turística ao apoio à agricultura, nomeadamente à entrada de jovens no sector, foram algumas das propostas apresentadas esta manhã na conferência 'Agricultura Madeirense – Entre poios e alterações climáticas', promovida pela Região Madeira da Ordem dos Engenheiros, no Museu Casa da Luz, no Funchal.

Joaquim Leça, vogal do Conselho de Colégio de Especialidade de Engenharia Agronómica da Ordem, defendeu a conclusão do processo transitório iniciado em 2011 e a criação de uma Reserva Agrícola, à semelhança do Continente e dos Açores. A medida permitiria proteger os solos agrícolas face à pressão da habitação e do turismo.

Num território onde cerca de 80% das propriedades rústicas têm menos de mil metros quadrados, alertou também para o abandono de parcelas, com consequências na gestão do território e na criação de faixas de segurança contra incêndios.

Ricardo Tavares, delegado regional do IPMA, apontou uma tendência, desde meados da década de 1990, de subida da temperatura e redução da precipitação. Admitiu que o aumento dos dias acima dos 25 graus poderá obrigar à adaptação das culturas, incluindo a subida dos patamares agrícolas. O IPMA está a reforçar a rede de observação e os modelos climáticos, considerando insuficientes as actuais 24 estações meteorológicas.

Adriano Maia, em representação da Direcção Regional de Agricultura, destacou a renovação geracional como um dos principais desafios. “A agricultura tem de ser rentável, tem de dar dinheiro”, afirmou, defendendo que parte da taxa turística municipal seja canalizada para o sector. Entre as medidas já existentes referiu apoios a fundo perdido e formação na Escola Agrícola. “Existem ferramentas, precisamos é de pessoas com amor pela terra”, acrescentou.

Amílcar Gonçalves, presidente da Águas e Resíduos da Madeira, colocou a água e o solo no centro da resposta às alterações climáticas. A redução da precipitação exige, sustentou, maior eficiência na gestão dos recursos hídricos, incluindo sensores nas redes e reforço da capacidade de captação e armazenamento.

A conferência integra o ciclo 'Conversas com a Sociedade 2025–2028'.