Alerta para escassez de ajuda humanitária para vítimas do duplo sismo na Venezuela
Uma organização alertou que a ajuda humanitária aos afetados pelo duplo sismo de junho na Venezuela tem diminuído, apesar de a situação local continuar complicada, com falta de habitação e problemas de saúde.
O alerta foi dado à agência Lusa pela descendente de emigrantes madeirenses Maria Fátima Garcês, vice-reitora académica da Universidade Central da Venezuela (UCV), uma das organizações comprometidas com a assistência e acompanhamento das comunidades afetadas pelos sismos em La Guaira, estado venezuelano que sofreu mais danos.
"A ajuda a La Guaira tem diminuído muitíssimo. No entanto, temos de agradecer a Portugal, que tem mantido a sua ajuda, tal como a Colômbia", disse à Lusa.
Maria Fátima Garcês frisou ter consciência de que ainda "há muito por resolver, que muitas pessoas continuam sem casa, que muito poucas conseguiram reparar a sua habitação, enquanto outras perderam tudo".
"As condições de saúde também não são boas, porque já existia um problema social. Nós damo-nos conta dessa realidade quando intervimos na zona e a [própria] Venezuela tem de apoiar mais a população de La Guaira, porque passaram apenas pouco mais de três meses e prevê-se que esta situação complicada se mantenha por mais de um ano", disse.
A vice-reitora da UCV explicou ainda que aquela entidade, através da Faculdade de Administração e Contabilidade, está a ajudar as pessoas a procurar outras fontes de rendimento que não o turismo, enquanto se restabelece a atividade normal nesta região.
"Há também a pesca, que pode continuar a ser praticada e estamos a ver como apoiar através da área da agricultura, em colaboração com a Faculdade de Agricultura", acrescentou, precisando que a UCV está também a procurar parcerias para apoiar a população daquele estado.
Maria Fátima Garcês explicou ainda que a UCV, em conjunto com a Embaixada de Portugal, e as organizações não-governamentais Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas e Regala Una Sonrisa realizaram uma jornada de atenção a afetados no Clube de Tanaguarena.
"Reunimos uma equipa multidisciplinar composta por médicos, bioanalistas, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e advogados. Assistimos 150 pessoas não apenas em saúde, mas também na área jurídica e na recuperação emocional. Incluímos uma festa para crianças com atividades recreativas, folclore e palhaços, num esforço para proporcionar um momento de alívio a quem continua a viver a crise", disse.
Garcês insistiu que durante estas jornadas de atenção percebem que as pessoas continuam a precisar de ajuda: "Nós estivemos durante três meses, ininterruptamente, entre as localidades de Praia Grande, Tanaguarena, e Naiguatá. No entanto, a UCV iniciou atividades académicas a 01 de setembro e já não podemos estar presentes todos os dias, mas apenas aos sábados. Contudo, a ideia é continuar a apoiar a população de La Guaira, porque há muita necessidade".
O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, vítimas mortais e feridos em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira.
Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.
Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.