Marcha pró-Reino Unido parada por protestos na Irlanda do Norte
Uma marcha do grupo Orange Order, que visa manter a Irlanda do Norte como parte do Reino Unido, foi hoje parada por milhares de manifestantes que apoiam a unificação da Irlanda.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, apelou à "calma dos dois lados", destacando os "grandes ganhos conseguidos na Irlanda do Norte".
A marcha do grupo Orange Order foi hoje, pela primeira vez em 30 anos, autorizada a descer uma rua na cidade de Portadown onde a unificação da Irlanda é muito apoiada: a Garvaghy Road.
No entanto, milhares de pessoas bloquearam a passagem, de forma pacífica, estando a marcha, para já, adiada, sem previsão de nova hora de partida.
Este arruamento foi um local de disputa entre as comunidades unionistas e nacionalistas durante décadas, no conflito pelo estatuto político da Irlanda do Norte, até um acordo de 1998 ter praticamente terminado um período em que morreram mais de 3.600 pessoas.
Segundo o chefe de polícia norte-irlandesa, as autoridades têm trabalhado "com todas as partes e continuarão" a fazê-lo para "preservar um país pacífico".
A subida da tensão, no entanto, tem sido notória nos últimos dias, e a realização da marcha foi questionada pela chefe do governo norte-irlandês, Michelle O'Neill, do partido nacionalista Sinn Féin.
"O progresso dos últimos 28 anos tem sido questionado pelas ações da Orange Order e aqueles no seio da unificação que querem atrasar-nos", declarou, a partir do contraprotesto que impediu aquele grupo de marchar.
Gavin Robinson, da oposição, criticou o partido no poder porque "a lei não se aplica só quando gostam do resultado", após uma autorização ter surgido hoje de madrugada para a marcha.
Um grupo unionista obteve hoje autorização judicial para desfilar, após o Supremo Tribunal ter anulado uma decisão que proibia a marcha.
A decisão judicial desencadeou tensões imediatas na zona e vários residentes e ativistas nacionalistas começaram a concentrar-se ao longo da Garvaghy Road para bloquear o percurso previsto.
O grupo Orange Order tem esse nome para honrar William de Orange, um príncipe protestante que veio dos Países Baixos para derrotar o Rei Jaime, católico, para tomar o trono da Grã-Bretanha no século XVII.
Em comunicado, o governo da Irlanda mostrou-se "muito preocupado com a situação", e tem como principal objetivo "impedir um regresso às divisões do passado" e não desperdiçar "o progresso significativo conseguido ao longo de muitos anos no que toca ao avançar da reconciliação".
O Sinn Féin é o partido com mais assentos na Assembleia da Irlanda do Norte desde as eleições de 2022 e ao qual pertence a atual primeira-ministra da região, Michelle O'Neill.
Em 14 de setembro, Michelle O'Neill, também colíder do Sinn Féin, defendeu, juntamente com os primeiros-ministros da Escócia, País de Gales, "o direito à auto-determinação" e pediram ao governo britânico para preparar e facilitar a independência.
No entanto, qualquer reforma constitucional tem de ser aprovada pelo Governo britânico, sediado em Londres.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, excluiu recentemente a possibilidade de uma votação sobre a unificação da Irlanda desejada pelo Sinn Féin.
Os acordos de paz de 1998 preveem que possa ser organizado um referendo sobre a unificação da Irlanda caso o governo britânico considere existir um apoio da maioria dos eleitores da Irlanda do Norte a favor da unificação.