Célia acusa Governo de “insensibilidade” face ao aumento do custo de vida e pede descida do ISP
A presidente do PS-Madeira, Célia Pessegueiro, apontou, esta manhã, o aumento dos combustíveis, o preço da alimentação, a habitação e as dificuldades de mobilidade como algumas das principais preocupações relacionadas com o custo de vida na Região. Na abertura das Jornadas Parlamentares do PS, que decorrem no Funchal sob o tema “Custo de vida na Madeira: respostas para quem cá vive”, a dirigente socialista defendeu que o Governo Regional deve avançar com medidas para aliviar os encargos das famílias.
Célia Pessegueiro começou por recordar propostas apresentadas pelo PS na Assembleia Legislativa da Madeira e que, segundo afirmou, “têm sido sucessivamente chumbadas”, garantindo que o partido pretende voltar a colocar essas soluções em discussão. Uma das medidas destacadas passa pela redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), que considera ser uma intervenção que o Governo Regional poderia concretizar rapidamente. “O ISP é mais alto na Madeira do que no território nacional”, afirmou Célia Pessegueiro, defendendo que a redução deste imposto teria efeitos para além do preço pago directamente pelos consumidores nos postos de abastecimento.
A líder socialista alertou para o que classificou como um “efeito em escada” provocado pelo aumento dos combustíveis. Segundo explicou, o impacto não se limita ao abastecimento dos veículos, reflectindo-se também nas tarifas de profissionais como os taxistas e, posteriormente, no preço de bens e serviços. “É o efeito em escada” e “em catadupa sobre os preços de tudo”, afirmou, sublinhando que o aumento dos combustíveis acaba por ter consequências sobre o custo geral de vida.
Como exemplo, Célia Pessegueiro referiu que um depósito de 50 litros de combustível que no início do ano custava cerca de 70 euros passou a representar uma despesa superior a 100 euros. Considerou que esta evolução representa um peso significativo para os orçamentos familiares. A dirigente socialista criticou ainda a ideia de que a fiscalidade na Madeira é globalmente mais baixa, argumentando que, embora o IVA seja inferior ao praticado no continente, o ISP tem um peso superior. “Está-se a falar de preço por litro que é superior a 40 cêntimos”, afirmou, defendendo que é necessário analisar a composição do preço dos combustíveis para perceber o impacto efetivo de cada componente.
Célia Pessegueiro colocou também o preço do “cabaz” alimentar entre as prioridades do PS-Madeira, criticando aquilo que considerou ser uma análise limitada do custo dos produtos. A dirigente socialista contestou comparações que excluam produtos de limpeza e higiene, argumentando que estes fazem parte das despesas regulares das famílias. “Como se as pessoas não comprassem produtos de limpeza e de higiene”, afirmou, defendendo que o custo de vida deve ser analisado tendo em conta o conjunto das necessidades das famílias.
A habitação constitui outra das áreas identificadas pela líder socialista, que relacionou o aumento dos custos com factores como a situação no sector bancário e a especulação imobiliária.
Já no domínio da mobilidade, Célia Pessegueiro criticou a evolução da oferta de transporte público na Região e apontou uma redução do número de carreiras e da disponibilidade de transporte. Segundo a dirigente socialista, a dependência crescente do transporte individual torna o aumento dos combustíveis particularmente penalizador para os madeirenses, condicionando também o acesso ao trabalho e à formação.
No final da intervenção, Célia Pessegueiro associou ainda o custo de vida às dificuldades de acesso dos jovens madeirenses ao ensino superior. A líder socialista afirmou que a Região registou “a mais baixa colocação de sempre” no acesso ao ensino superior e defendeu que esta realidade deve ser estudada, apontando o custo associado à frequência universitária como uma das possíveis explicações. Apesar da existência de apoios municipais para bolsas ou pagamento de propinas, considerou que o acesso ao ensino superior continua a representar uma despesa elevada para muitas famílias. A dirigente deu como exemplo os jovens que vivem fora do Funchal e que frequentam a Universidade da Madeira, salientando que, para quem reside na zona Oeste, a deslocação diária pode implicar a utilização de uma viatura própria, acrescentando custos de transporte às despesas relacionadas com a frequência universitária.
As Jornadas Parlamentares do PS-Madeira decorrem este sábado no Espaço IDEIA, no Funchal, contando com intervenções de representantes de áreas como a geografia, restauração, táxis e sindicatos.