O homem bom

Jorge Palma era um homem que gostava das pessoas, e que fez dessa simpatia a sua preocupação constante em tudo o que criou. As suas canções e músicas ficarão para sempre na memória colectiva. Eram palavras simples, mas mensagens fortes, como um hino à simplicidade, à solidariedade e à esperança.

À sua maneira, foi perigoso para os que fazem da cultura um acto de snobismo. Nunca quis ser voz de uma elite. Primou sempre por ser uma voz abrangente e popular no melhor sentido da palavra, avessa a qualquer elitismo que afastasse as pessoas em vez de as juntar

Em constante mudança, sem nunca se repetir, foi um estímulo intelectual para quem o ouvia. Provocava, questionava, emocionava. Não aceitava muros nem intolerâncias. Acreditava, acima de tudo, na solidariedade e na esperança como formas de estar no mundo.

Hoje, partiu o homem. Fica a obra. Fica, sobretudo, o exemplo de simplicidade, liberdade e humanidade que deixou em todos os que com ele se cruzaram.

Da letra da canção “Passeio dos Prodígios”:

“Há vitórias e derrotas

Apontadas em silêncio

No diário imaginário

Onde empilhamos as razões para lutar”.

Carlos Oliveira