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Nobel iraniana Narges Mohammadi publica as suas memórias

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Foto EPA/Arquivo

"É uma certeza: a vitória talvez não seja fácil, mas é inevitável", afirmou a prémio Nobel iraniana Narges Mohammadi, prevendo o sucesso da luta que seguiu por um Irão democrático, nas suas memórias publicadas hoje.

O seu livro "Uma mulher nunca desiste", publicado em França pela Robert Laffont, sai numa altura em que a ativista dos direitos humanos, de 54 anos, está detida no seu domicílio em Teerão depois de ter sido libertada sob caução em maio devido a problemas de saúde.

"Não tenho medo do que me espera. Apesar de anos de sofrimento, não sinto arrependimento nem remorso pelo que sacrifiquei em nome da justiça. Estou cheia de amor, de vontade de viver e de um apego inabalável à liberdade. Sou uma mulher. E uma mulher nunca desiste", escreve ao concluir o seu relato, comercializado nomeadamente nos Estados Unidos, na Noruega e na Alemanha.

Narges Mohammadi começou a escrever as suas memórias na prisão há cerca de dez anos.

Redigido em farsi, o texto saiu do Irão em fragmentos para serem reunidos e traduzidos para inglês pela Fundação Narges, com sede em Paris, e depois publicados em livro por uma editora de Oslo, Aschehoug, indica a Fundação.

Narges Mohammadi conta a sua infância feliz em Zanjan (norte) e depois a sua tomada de consciência da "condição insuportável das mulheres" após a Revolução Islâmica de 1979.

"As nossas vidas estavam marcadas por uma ansiedade permanente. As nossas escolhas, os nossos desejos, o nosso futuro, tudo dependia da ditadura religiosa", escreve.

Apresentando-se como "alegre" e "muito sociável", a jovem envolve-se então contra a pena de morte e o código de vestuário rigoroso imposto às iranianas, uma luta que lhe valerá "mais de 44 anos de prisão, um total de 154 golpes de chicote e 161 dias de isolamento ao longo de múltiplos períodos de detenção", segundo a Fundação.

Mas, Narges Mohammadi sempre recusou deixar o seu país para se juntar em Paris ao marido, o opositor Taghi Rahmani, e aos seus filhos, exilados desde 2015.

"Que vida estranha. Agora, temo ter de deixar este mundo sem rever os meus filhos", lamenta a autora, que está a ser tratada por sérios problemas cardíacos.

A 06 de outubro de 2023, a militante pelos direitos humanos recebeu o Prémio Nobel da Paz quando estava na prisão. "Cobriam-me de beijos, abraçavam-me, lágrimas de alegria escorriam pelas minhas faces", recorda. Esse dia "foi um dos mais gloriosos da minha vida", mas "sabia que o regime, furioso, se viraria contra mim".