'Trilogia da Morte' reúne em livro as três peças de Filipe Gouveia
Publicação da Colecção Baltazar Dias é apresentada sexta-feira, no Teatro Municipal
'Trilogia da Morte', de Filipe Gouveia, vai ser apresentada na sexta-feira, 25 de Setembro, às 16h30, no Foyer do Teatro Municipal Baltazar Dias. A publicação reúne os três textos dramáticos que o autor escreveu para a companhia AGON e que foram estreados naquele espaço entre 2022 e 2026.
O lançamento coincide com a apresentação de 'Livrai-nos da Fome!', a terceira e última peça da trilogia, que estará em cena no Teatro Municipal Baltazar Dias nos dias 24, 25 e 26 de Setembro. A sessão de apresentação do livro contará com a presença de Filipe Gouveia, de Sara Maia, cofundadora da AGON, e do presidente da Câmara Municipal do Funchal (CMF). A entrada é gratuita.
Inspirada nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse — Peste, Guerra, Fome e Morte —, a trilogia cruza diferentes períodos históricos com questões contemporâneas, tendo a Madeira como território central das narrativas.
O projecto começou em 2022, com 'Livrai-nos da Peste!', que estreou a 8 de Abril desse ano. A peça estabelece um paralelismo de 500 anos entre a chegada da Peste Bubónica à Madeira, em 1521, e a pandemia de Covid-19, em 2021, através de duas histórias de amor marcadas pela doença, pelo medo, pelo isolamento e pela morte.
Em 2024, 'Livrai-nos da Guerra!' partiu de uma história de amizade para aproximar dois momentos distintos: o acolhimento de mais de dois mil refugiados gibraltinos na Madeira, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, e a chegada de refugiados ucranianos à Região, em 2023, na sequência da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
A trilogia chega agora ao fim com 'Livrai-nos da Fome!', construída a partir de 21 sketches satíricos, cómicos e absurdos, acompanhados por música original interpretada ao vivo. A peça estabelece paralelismos entre o período anterior ao 25 de Abril de 1974 e a actualidade, abordando a fome nas suas dimensões literal e metafórica, incluindo a ganância e a ambição. Cada cena tem como inspiração um elemento da gastronomia tradicional madeirense.
A edição em livro permite preservar os três textos para além das respectivas apresentações em palco. 'Trilogia da Morte' passa a integrar a Colecção Baltazar Dias, iniciativa editorial da CMF dedicada à recuperação, preservação e divulgação de obras de dramaturgos madeirenses.
Criada em 2018, no âmbito das comemorações dos 130 anos do Teatro Municipal do Funchal, a colecção começou por recuperar obras de autores ligados à história da dramaturgia madeirense e passou posteriormente a incluir também criação contemporânea. Entre os volumes publicados encontram-se obras de Eugénia Rego Pereira, João de Nóbrega Soares, Florival de Passos, João Alberto Figueira, bem como 'Os qu’emigraRAM', publicada em 2023, e 'Skylight', de Marcela Costa.
Natural do Funchal, onde nasceu em 1996, Filipe Gouveia iniciou o percurso artístico em grupos de teatro locais. Formou-se em Interpretação na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, no Porto, em 2017, e concluiu uma pós-graduação em Dramaturgia, em 2019.
Actor, encenador e dramaturgo, fundou em 2021, com Sara Maia, a AGON, estrutura de criação sediada no Funchal que desenvolve projectos a partir do cruzamento entre teatro, dança e música.