Montenegro considera que Governo e Presidente partilham a mesma visão na educação
O primeiro-ministro considerou hoje que Governo e Presidente da República partilham a mesma visão sobre a importância da educação na formação dos cidadãos, e defendeu que foram superados os difíceis desafios no final do ano letivo passado.
Estas posições foram transmitidas por Luís Montenegro no discurso que proferiu na cerimónia de inauguração da Escola Secundária de Cascais, tendo a ouvi-lo o Presidente da República, António José Seguro, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, e o presidente da Câmara, Nuno Piteira Lopes (PSD).
O primeiro-ministro abriu o seu discurso com um elogio ao chefe de Estado, dizendo que António José Seguro é um professor e "um Presidente da República sempre muito atento, empenhado e interessado com o que se passa na escola, em todos os níveis de escolaridade".
Um Presidente da República, segundo Luís Montenegro, "com uma visão que é partilhada com o Governo, de que o processo formativo dos cidadãos e a concretização da democracia e da liberdade começa precisamente na escola". "Começa nas creches e nos jardins-de-infância, onde desde o nascimento queremos que os nossos concidadãos adquiram o interesse e o apelo pela participação cívica e pelo aprofundamento do conhecimento", rematou o líder do executivo.
No seu discurso, o primeiro-ministro referiu-se de forma indireta aos problemas verificados no processo de digitalização dos exames nacionais no final do ano letivo passado, assim como a problemas mais recentes relacionados com alunos sem colocação nas escolas.
"Sabemos que este ano que começa comporta novos desafios, como aquele que terminou teve também necessidades que tiveram de ser preenchidas e objetivos que tiveram de ser alcançados, muitas vezes com dificuldade, muitas vezes com a exigência de estarmos predispostos a aguentar o tempo da mudança, o tempo do progresso", sustentou.
Apesar da exigência inerente ao processo de mudança, Luís Montenegro considerou que "a transformação" foi "superada e "fez acreditar que vale a pena um sistema que não deixa ninguém para trás".
O primeiro-ministro apontou depois que a região de Lisboa e Vale do Tejo é a que coloca maiores desafios, dizendo que se trata de "uma zona de grande pressão".
Na região se Lisboa, "há problemas que, não sendo exatamente iguais aos do resto do país, não deixam de ser profundos e altamente suscetíveis de criar obstáculos ao exercício da democracia e da cidadania".
"É nesta região que temos maiores dificuldades para atrair e reter, por exemplo, pessoal docente. É nesta região que temos de juntar aos equipamentos físicos a materialização de medidas de política pública para dar condições e retorno ao esforço de trabalho", disse.
O primeiro-ministro assinalou ainda que é na região de Lisboa e Vale do Tejo que, "muitas vezes, um professor não consegue pagar a renda da casa".
"É nesta região que, muitas vezes, entre a escolha da vocação e o realismo da opção, muitos acabam por deixar a docência e caminhar pela vida com outros intuitos profissionais. Precisamente por isso, temos reforçado os instrumentos para que as escolas físicas motivem e mobilizem todo o pessoal docente e não docente para trabalhar e trabalhar com objetivos cada vez melhores", advogou.
Luís Montenegro, neste contexto, frisou que o seu Governo tem centrado em Lisboa e Vale do Tejo "uma grande parte do investimento nas instalações" físicas das escolas, mas, também, "nas condições para atrair e reter, nomeadamente professores.
"Por isso, tivemos concursos extraordinários. Integrámos mais três mil professores no contexto das zonas mais afetadas pela falta de docentes", disse, antes de se referir a outros planos de investimento por parte do seu executivo.
"Tivemos 87 escolas intervencionadas no país, mas temos consciência de que muitas ficaram num estádio de desenvolvimento mais limitado e, portanto, precisamos de ter novas formas de financiamento para prosseguirmos a revitalização do nosso parque escolar. Neste momento, o Governo tem um acordo já subscrito com o Banco Europeu de Investimento para mais de mil milhões de euros de financiamento destinado a intervenções em 200 escolas. Cerca de metade desse valor, 450 milhões de euros, está localizado, precisamente, aqui na região de Lisboa e Vale do Tejo", acrescentou.
A nova Escola Secundária de Cascais tem capacidade para 1320 alunos e representou um investimento global superior a 32 milhões de euros. Dispõe de 44 salas de aula, laboratórios, biblioteca, auditório, sala de artes performativas, centro de apoio à aprendizagem, refeitório e vários espaços de apoio à comunidade escolar.
A cerimónia incluiu o descerramento de uma placa, uma bênção católica, pelo patriarca de Lisboa, Rui Valério, e uma visita às instalações da escola, construídas com cofinanciamento do Plano de Recuperação e Resiliente (PRR).