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Pisa 2025: educação e trajetórias europeias

O PISA 2025 não é um instrumento concebido para avaliar a Educação dentro da União Europeia (UE), nem se limita aos seus Estados-Membros. Em 2025, participaram mais de 760 mil alunos, representando cerca de 33 milhões de jovens de 15 anos, em 91 países e economias. Precisamente por proporcionar uma escala comum de comparação internacional, o PISA permite, também, observar as diferenças de desempenho e as trajetórias dos sistemas educativos europeus. Embora não constitua, por si só, uma medida de coesão europeia, os seus resultados oferecem um retrato relevante das assimetrias educativas dentro da UE — e estas são importantes porque as competências adquiridas condicionam a produtividade e a inovação, e a capacidade de adaptação económica, social e cultural.

Os resultados revelam que a UE enfrenta não apenas uma divergência económica, mas também diferenças persistentes e trajetórias divergentes na educação e formação das competências. A OCDE registou, em 2025, os níveis médios mais baixos de sempre nos três domínios avaliados. Desde 2015, a média da OCDE caiu 28 pontos em leitura, 22 em matemática e 7 em ciência.

Não se trata de defender uma pedagogia reduzida aos 3R — leR, escreveR e contaR. Mas também não se percebe como é possível desenvolver competências sem dominar essas ferramentas fundamentais. O conhecimento constitui a base; a competência é a capacidade de mobilizar essa base. É aqui que as trajetórias europeias se tornam relevantes. A Europa não está simplesmente dividida entre países “bons” e “maus” sistemas educativos. Existem sistemas de elevado desempenho que começaram a perder terreno, sistemas próximos da média que enfrentam uma quebra significativa dos resultados e países que, ao longo das últimas décadas, demonstraram capacidade de convergência.

Portugal apresenta uma situação preocupante. Os resultados de 2025 estão próximos da média da OCDE, mas é o percurso desde 2015 que deve alarmar. A percentagem de alunos abaixo do nível básico aumentou significativamente em matemática, leitura e ciência. Os resultados atuais aproximam Portugal dos níveis observados em 2006, revertendo os ganhos obtidos na última década. Não se trata de um caso de colapso na educação, mas de regressão dos resultados de aprendizagem. Esta trajetória tem consequências que ultrapassam a escola. Se as competências determinam a capacidade de resolver problemas, adaptar-se tecnologicamente e aprender ao longo da vida, diferenças persistentes nessas competências podem transformar-se em diferenças de produtividade, salários, inovação e competitividade. A médio e longo prazo, podem também influenciar a mobilidade social, a demografia e a capacidade económica dos Estados.

O desafio europeu é, portanto, não apenas elevar o nível médio nas competências fundamentais, mas impedir que as trajetórias educativas dos Estados-Membros se afastem estruturalmente criando numa ainda maior divergência económica europeia. O PISA não mede a coesão da UE, mas ajuda-nos a perceber uma das suas condições fundamentais: a capacidade dos seus cidadãos para adquirir conhecimento, transformá-lo em competências e utilizá-lo para participar num mundo cada vez mais exigente.