Há mais portugueses a precisar de ajuda mas Damas de Beneficência estão sem recursos
Na Venezuela há cada vez mais portugueses a precisar de ajuda, em particular depois do duplo sismo de 24 de junho, mas a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas (SBDP) está sem recursos para expandir a assistência.
"Há já dois meses que estamos a passar por uma situação muito difícil. Nós acompanhávamos muitas famílias luso-venezuelanas em situação de vulnerabilidade, mas com os terramotos há mais portugueses em dificuldade", disse a presidente da SBDP à Agência Lusa.
Lucecita Fernandes Ferreira explicou que as Damas de Beneficência, como são conhecidas, apesar de a atualidade noticiosa não ser tão alarmante, no terreno continua a necessidade de acompanhamento dos afetados.
"Precisamos, sim, de apoio para poder ajudar", frisou, sublinhando que desde o duplo sismo, as Damas de Beneficência, têm ido frequentemente ao terreno, em particular a La Guaira, o estado mais afetado.
"Temos estado em quatro localidades: em Cátia La Mar, Tanaguerana, Naiguatá e Praia Grande, distribuindo uma pequena ajuda de cabazes alimentares e kits e higiene. Gostaríamos de poder apoiar mais, mas fazemos o que podemos como o que temos, temos dado resposta dentro das nossas possibilidades", disse.
Lucecita Fernandes Ferreira, alertou ainda que após o duplo sismo alguns portugueses migraram para cidade de Caracas, porque perderam os seus apartamentos, negócios e o emprego, em La Guaira.
"Agora estão a morar com os parentes aqui em Caracas. Então, um núcleo familiar que antes era de 4 pessoas [a precisar de ajuda], agora são de 8 ou 10", disse.
Lucecita Fernandes Ferreira explicou ainda ter percebido "que há boa vontade" de parte do Governo português para ajudar os lusitanos, "mas efetivamente esses recursos ainda não chegaram às instituições" luso-venezuelanas.
"Mas, também já temos a notícia, e foi publicado, que há recursos a ser geridos para esta emergência e estamos a confiar que vão chegar em breve e agradecemos que assim seja. O problema é que os dias passam e as necessidades continuam no terreno", disse.
Por outro lado, explicou que a SBDP apresenta regularmente projetos para atenção a carenciados -- antes anualmente e agora duas vezes por ano--, e planifica as suas jornadas segundo o aprovado.
"A SBDP está a trabalhar em três frentes: assistência, formação e cultura", disse.
E explicou que na parte da assistência entregam cabazes, medicação e produtos de higiene, disponibilizam um roupeiro e elaboramos uma sopa que é distribuída nos dias da jornada.
Por outro lado, na vertente da formação estão a ser dadas aulas de costura e de doçaria portuguesa a senhoras.
"E, na cultural, estamos a dar aulas às crianças dos 7 aos 14 anos, num programa de férias escolares. A parte cultural é também muito importante porque muitas pessoas não têm possibilidades de ver televisão portuguesa em casa, nem de ir a um clube", disse.
Frisou ainda que a SBDP comemora algumas datas nacionais, como o Dia de Portugal, o aniversário do 25 de abril, "que ajudam as pessoas a recordar a cultura portuguesa".
Questionada sobre eventuais apoios da Madeira, tendo em conta o número de madeirenses radicados na Venezuela, precisou que o Governo regional também prometeu ajudar.
"Após o sismo, o Dr. Rui Abreu, esteve cá, que visitou muitas instituições e viu o que aconteceu. E anunciou que o Governo regional tinha contemplado um valor para apoios. Ele disse que contassem com essa ajuda, e estamos confiantes de que essa ajuda vai chegar em breve", disse.
O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela, Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.
Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.
Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.