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As lixeiras em São Vicente são anteriores ao actual executivo?

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Electrodomésticos, colchões, mobiliário, madeiras, plásticos e sucata acumulam-se junto ao armazém municipal de São Vicente, na Estrada do Pé de Lombo. As fotografias publicadas pelo DIÁRIO, neste dia 16 de Setembro, mostram a dimensão dos depósitos, próximos de uma linha de água, e acompanham o anúncio de uma intervenção de limpeza.

A Câmara contratou uma empresa para separar e encaminhar os resíduos, numa operação que deverá custar cerca de 20 mil euros. O presidente, José Carlos Gonçalves, espera ter o espaço limpo ainda este mês. O ambientalista Hélder Spínola alerta para o risco de contaminação e defende uma resposta que evite novas acumulações.

Na publicação da notícia no Facebook, um leitor ironizou sobre a possibilidade de atribuir todo o lixo à actual vereação, sugerindo que o problema vem de trás.

Será que as lixeiras em São Vicente são anteriores ao actual executivo?

Para verificar os antecedentes recorremos ao arquivo do DIÁRIO, às declarações publicadas na edição desta quarta-feira e respectivas imagens, assim como a imagens do Google.

Uma reportagem de 15 de Agosto de 2006, intitulada ‘Sucata amontoa-se em São Vicente com críticas dirigidas à Câmara’, descrevia a situação nas Ginjas/Miradouro. Num terreno adquirido pela autarquia, utilizado como ponto de recolha de resíduos municipais, acumulavam-se frigoríficos, fogões e sucata, sobre um piso de terra e nas proximidades de habitações.

Os moradores queixavam-se dos cheiros, dos ratos e da ausência de resposta às reclamações. Segundo os seus testemunhos, o problema arrastava-se há cerca de dois anos.

O vereador responsável pelo Ambiente, Silvano Ribeiro, reconhecia a situação, que classificava como provisória. Garantia já existirem contactos com uma empresa privada para remover a sucata e prometia uma solução para breve.

O assunto regressou às páginas do diário. Em 17 de Fevereiro de 2009, foi publicada uma notícia com o título ‘Lixeira a céu aberto em São Vicente’, identificando novamente as Ginjas e registando uma promessa de limpeza no prazo de dois meses. Em 12 de Março, o título era ‘São Vicente já limpou lixeira a céu aberto’. A legenda da fotografia esclarecia que o grosso do entulho tinha sido removido.

Avancemos para 2022. Em 4 de Março, a notícia ‘S. Vicente quer vazadouro intermunicipal no norte’ dava conta da proposta de José António Garcês para criar um espaço que também servisse Santana e Porto Moniz.

A iniciativa surgia depois de descargas clandestinas na zona das Ginjas, incluindo fora do perímetro do terreno municipal. A Câmara tinha colocado uma vedação e anunciava fiscalização mais apertada num espaço de nove mil metros quadrados, utilizado para receber entulho, materiais ferrosos e resíduos domésticos.

A mesma notícia referia a instalação de câmaras de vigilância enquanto não arrancassem as obras do armazém municipal. Garcês garantia que a autarquia continuaria a receber resíduos previamente separados, assegurando depois o seu encaminhamento.

Quanto à acumulação agora fotografada, o próprio presidente da Câmara explica, na edição de 16 de Setembro, que os resíduos foram transferidos de um terreno junto à antiga adega. Segundo José Carlos Gonçalves, já lá estavam quando o actual executivo chegou à Câmara, em Outubro de 2025. A intervenção retirou-os daquele espaço e levou-os para junto do armazém municipal.

Uma imagem do Google Maps de Novembro de 2024 mostra materiais amontoados no recinto junto à antiga adega, corroborando a existência de uma acumulação anterior à tomada de posse do actual executivo. A fotografia não permite, contudo, estabelecer que esses materiais correspondem à totalidade dos resíduos actualmente depositados junto ao armazém municipal.

Já a imagem do Google Earth de 24 de Fevereiro de 2026 mostra resíduos acumulados junto ao armazém municipal. Nas fotografias agora recolhidas pela ASPRESS, o depósito aparenta ocupar uma área maior, embora a comparação não permita determinar a origem dos materiais nem quando foram ali colocados.

São Vicente também não é o único concelho com antecedentes deste género. Na Calheta, o DIÁRIO noticiou, em Outubro de 2007, a acumulação de resíduos na antiga britadeira do Governo, nos Prazeres. Em Fevereiro de 2008, anunciou a intenção de eliminar a lixeira e desmantelar a instalação.

No Porto Moniz, uma reportagem de Janeiro de 2000 descrevia despejos de resíduos municipais numa zona florestal na Santa. Em Santana, em Setembro de 2008, a Quercus denunciava a deposição e queima de resíduos junto à Levada dos Arcos, situação que o presidente da Câmara prometia averiguar. No Porto Santo, uma reportagem de Outubro de 1995 identificava pneus, garrafas, plásticos e entulho numa lixeira no litoral oeste.

Há ainda notícias em que a palavra ‘lixeira’ descreve lixo abandonado junto aos contentores, como no Estreito de Câmara de Lobos, em 2017, ou no Rancho, em 2019. São situações diferentes dos terrenos utilizados para acumular sucata e outros resíduos. E a existência de uma notícia antiga não significa que o problema continue por resolver.

No caso de São Vicente, os registos demonstram que o problema antecede em muitos anos o actual executivo. Não se trata de comprovar uma única lixeira, permanentemente activa, mas de verificar a existência de antecedentes. É nesse sentido que a ideia expressa pelo leitor é avaliada como verdadeira.

“Só falta dizer que foi tudo acumulado nesta vereação… os que lá estavam se calhar levavam para casa…” — P. Marote, comentário no Facebook do DIÁRIO