ADN Madeira acusa JPP de falta de credibilidade nas sucessivas promessas sobre o ferry
O ADN Madeira considera “politicamente inaceitável” que o JPP continue a apresentar novas soluções para a ligação marítima por ferry entre a Madeira e o continente sem esclarecer o que aconteceu ao acordo que Élvio Sousa anunciou aos madeirenses como estando “fechado” em Fevereiro de 2025.
Em comunicado, o partido acusa o JPP de ter alterado sucessivamente o discurso sobre o ferry, passando de uma solução comercial sem compensações financeiras para a procura de operadores, novas jornadas, financiamento público e mecanismos de apoio europeus.
“Antes de uma nova promessa, falta prestar contas da anterior”, defende o ADN Madeira, considerando que a continuidade territorial é demasiado importante para ser transformada num palco de “sucessivas reinvenções políticas”.
O partido reconhece que a procura de apoio junto da República ou da União Europeia é legítima e poderá ser necessária, tendo em conta a condição da Madeira enquanto Região Ultraperiférica. No entanto, considera que não é aceitável apresentar cada nova solução “como se a anterior nunca tivesse existido”.
O ADN recorda que, em 2024, após contactos com a Armas Trasmediterránea, o JPP afirmou ter encontrado soluções e concluído que a ligação seria rentável. Já em Fevereiro de 2025, diz, Élvio Sousa garantiu que a parceria para passageiros e mercadorias estava fechada, embora, segundo o ADN, não tenham sido divulgados o parceiro nem as condições do acordo.
Um ano depois, o discurso teria voltado a mudar, com o JPP a defender uma negociação comercial com as Canárias “sem compensações financeiras”. Mais recentemente, aponta o ADN, o partido passou a admitir financiamento público e a procurar novas alternativas operacionais.
“Se o modelo mudou, diga-se claramente. Se o acordo caducou, explique-se porquê. Se continua válido, mostre-se em que condições”, exige o partido, acrescentando que, caso o acordo nunca tenha tido a consistência transmitida aos eleitores, isso também deve ser assumido.
Para o ADN Madeira, a questão ultrapassa o próprio processo do ferry e diz respeito à credibilidade política de quem apresentou determinadas soluções aos eleitores.
O partido rejeita igualmente a ideia de que “o passado já foi”, expressão utilizada por Élvio Sousa nas recentes jornadas do JPP. Na perspectiva do ADN, “em democracia, o passado político não desaparece quando se torna incómodo”, defendendo que as promessas eleitorais fazem parte da prestação de contas.
O ADN considera ainda que o facto de o JPP não ter vencido as eleições pode explicar por que razão não teve oportunidade de executar uma solução governativa, mas não justifica, no seu entender, o desaparecimento do acordo do discurso público nem dispensa o partido de esclarecer o que apresentou aos eleitores como já concluído.
A força política diz ter também questionado alguns aspectos do actual estudo económico-financeiro sobre a ligação marítima, nomeadamente a auscultação dos operadores, o peso do transporte de carga e os efeitos da concorrência marítima.
O ADN faz questão de sublinhar, contudo, que esta posição não representa uma defesa do estudo promovido pelo PSD/CDS. Trata-se, segundo o partido, de exigir “a mesma transparência que o JPP exige aos outros” relativamente às suas próprias propostas.
“Oportunismo político é aproveitar cada nova fase deste dossier para anunciar uma nova solução sem fechar a conta da anterior”, afirma o ADN Madeira.
O partido defende, por isso, que a Madeira precisa de um modelo de continuidade territorial assente em critérios claros, com custos, financiamento, transporte de carga e passageiros, obrigações de serviço público e responsabilidades devidamente identificados.
“Credibilidade não se substitui por estudos, viagens, jornadas ou novos comunicados. Constrói-se dizendo a verdade e prestando contas do que se prometeu”, conclui o ADN Madeira.