Portugueses são seguros e confiáveis
O ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa disse, ontem, que os portugueses são seguros e confiáveis, considerando que as condições que se vivem no mundo têm favorecido a situação de Portugal.
"Nós somos a Europa, mas somos vistos como sendo uma ilha no meio do Atlântico. Nós somos, sobretudo, seguros e confiáveis (...) Encontramos economistas financeiros, banqueiros e tal a dizer, que grande bigodaça que vocês estão a dar, porque de facto estão a conseguir, que se possa ter confiança e ter segurança na realidade portuguesa. Nós já intuímos isso, sabíamos isso. Mas agora é indiscutível", disse Marcelo Rebelo de Sousa.
O ex-Presidente da República falava na Universidade de Aveiro durante uma conversa com o escritor Gonçalo M. Tavares, no âmbito de um ciclo de conferências itinerantes promovido pela Caixa Geral de Depósitos, para discutir o potencial do território como plataforma estratégica para a próxima década.
Marcelo elogiou a capacidade de adaptação dos portugueses, mesmo nas circunstâncias mais improváveis, bem como a capacidade de atrair investimento estrangeiro.
"Eu vou a qualquer reunião internacional e agora vou como `outsider´ (...) mas gosto de ouvir nos aviões em que venho dizer, ah, eu desloquei-me agora para Portugal, porque é para decidir e é para investir numa coisa e tal, e estou a pensar num projeto e tal", observou.
Questionado sobre o que gostaria de ver até ao final do século, desejou que rapidamente se chegue ao "mínimo de regras sobre a inteligência artificial e a meios de controlo", defendendo que é preciso formar psicólogos para pensar nos problemas éticos e nos problemas de controlo da inteligência artificial.
"Não se preveniu, em termos de regras, o fenómeno que já vai avançado da inteligência artificial. Então vamos discutir como é que se controla. Trava-se um bocadinho? Não se trava um bocadinho? Encontram-se formas de compromisso? Como é que isso é?", questionou, defendendo que a Europa tem que ter um papel a dizer nessa matéria.