Kremlin justifica ataques russos junto à fronteira polaca
O Kremlin justificou hoje os ataques russos realizados no domingo na Ucrânia, muito perto da fronteira com a Polónia, afirmando que fazem parte das missões das forças armadas russas.
"É uma questão de território ucraniano. Os nossos soldados realizam as suas missões em todo o território ucraniano e continuarão a fazê-lo", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.
O porta-voz respondia, durante a conferência de imprensa diária, a uma pergunta sobre os ataques ocorridos perto da fronteira da Ucrânia com a Polónia, país-membro da UE e da NATO.
Segundo as autoridades polacas e ucranianas, um drone russo atingiu no domingo a locomotiva de um comboio de passageiros que fazia a ligação entre Kiev e Varsóvia, quando se encontrava a cerca de dois quilómetros da fronteira polaca.
O ataque não causou vítimas.
A empresa ferroviária ucraniana afirmou que várias personalidades ocidentais, entre as quais o antigo primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o antigo diretor da agência de informações norte-americana CIA David Petraeus, tinham estado numa estação ferroviária no oeste da Ucrânia "pouco" antes de o comboio ser atingido na região.
Peskov não comentou diretamente o ataque contra a locomotiva.
As autoridades de Varsóvia indicaram ainda que outro drone atingiu um posto de abastecimento de combustível próximo de uma passagem fronteiriça, mas ainda em território ucraniano.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, presidiu a uma reunião de emergência após os ataques e alertou para a possibilidade de uma intensificação das ações militares russas na Ucrânia, salientando acreditar que uma eventual escalada possa vir a afetar o território da Polónia.
Também a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, considerou hoje que o ataque contra o comboio ucraniano teve como objetivo "assustar os aliados" da Ucrânia e levá-los a abandonar o apoio a Kiev.