Costa diz que UE tem se de adaptar à nova geopolítica que afecta o Ártico
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse hoje, na Finlândia, que a UE tem de se adaptar à nova realidade geopolítica que afeta a segurança no Ártico.
"No que diz respeito à segurança no Ártico, precisamos de nos adaptar à nova realidade geopolítica", referiu, acrescentando que a região é vítima do "enfraquecimento do sistema multilateral", no qual "a soberania e o respeito pela integridade territorial já não podem ser dados como garantidos, e conceitos fundamentais do direito internacional, como a liberdade de navegação, estão a ser desafiados".
O antigo primeiro-ministro português salientou também que "a Rússia, a maior nação ártica, é um dos principais impulsionadores desta tendência".
Costa manifestou ainda apoio à ambição da cimeira europeia do Ártico de promover uma ação coordenada, de construir um anel de parceiros desde o Báltico, passando pelo Ártico e pelo Atlântico Norte, para garantir uma abordagem abrangente e baseada em regras para a segurança e defesa da região do Ártico", destacando que a segurança da região é também a da UE.
O líder do Conselho Europeu alertou ainda que a segurança é apenas mais um desafio para o Ártico, a somar às alterações climáticas que ameaçam a região e reiterou a importância de não se perderem "as oportunidades económicas que oferece para a autonomia estratégica, em particular no que toca a matérias-primas críticas".
Na cimeira foi emitida uma declaração conjunta apelando à UE para reforçar o papel estratégico no Ártico face às ameaças de Moscovo e também da Casa Branca, com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a manter a pressão sobre a Gronelândia.
Na reunião de Rovaniemi participaram 12 países: Finlândia, Alemanha, Dinamarca, Estónia, França, Grécia, Letónia, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Roménia e Suécia.
A UE aprovou já um envelope de ajuda financeira de 200 milhões de euros para a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca.
O Ártico, que está a aquecer quase quatro vezes mais rápido do que outras regiões, tem registado um aumento de atividade à medida que o recuo do gelo abre potenciais rotas de transporte, bem como o acesso a recursos minerais.
O Ártico Europeu é a região polar do norte que abrange partes do norte da Europa, da Escandinávia e dos mares adjacentes a norte do Círculo Polar Ártico.