Ataque a navio iraniano no Estreito de Ormuz faz um morto e três feridos
Um navio mercante iraniano foi atingido este domingo por um projétil no Estreito de Ormuz, provocando uma morte e três feridos, segundo as autoridades iranianas, depois de o Gabinete de Operações Marítimas Comerciais do Reino Unido (UKMTO) ter dado conta de um ataque contra um navio na mesma zona, sem identificar a sua origem.
O governador da cidade de Qeshm, Amir Teymouri, afirmou que a embarcação foi atingida cerca das 05:00 locais, ao largo das ilhas de Hengam e Qeshm. “Uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas”, declarou, citado pela televisão estatal e pela agência Tasnim.
A UKMTO tinha informado horas antes que recebera um relatório sobre um incidente no Estreito de Ormuz, precisando que “um projétil desconhecido atingiu um navio enquanto este atravessava o estreito”. Na altura, o organismo britânico disse não dispor de informação sobre eventuais vítimas ou danos na embarcação.
Foram também registadas várias explosões durante a noite nas proximidades de Qeshm, a maior ilha do Estreito de Ormuz.
Na sequência do incidente, a UKMTO recomendou às embarcações que operam na zona que reforcem as medidas de precaução e comuniquem qualquer actividade considerada suspeita.
O ataque ocorre na véspera de uma reunião entre o Irão e os países do Golfo sobre o Estreito de Ormuz, marcada para segunda-feira, em Omã.
A via marítima, estratégica para o comércio mundial, está no centro do conflito entre Teerão e Washington e tem sido alvo de fortes restrições à navegação desde o início da guerra.
Teerão denuncia bloqueio de alimentos e medicamentos
O Presidente iraniano denunciou hoje que a guerra dos EUA contra o Irão trava o acesso da população a "alimentos e medicamentos", referindo-se ao recrudescimento das sanções e ao bloqueio naval de Washington contra Teerão.
"Se são humanos, por que privam a população de acesso à água, aos alimentos e aos medicamentos?", disse Masud Pezeshkian numa publicação na sua conta no X.
O Presidente acusou os EUA de empreenderem "uma guerra contra as infraestruturas civis, os recursos alimentares e os meios de subsistência da população".
"Se os americanos são guerreiros, que enfrentem as nossas forças militares corajosas", acrescentou Pezeshkian, que reiterou que o povo iraniano "não pode ser intimidado" e que o país persa "não se renderá" a tais pressões.
O mandatário iraniano reconheceu recentemente num discurso no Fórum Económico dos BRICS em Nova Deli que o seu país tem enfrentado sanções generalizadas nos últimos anos, mas que "nos últimos meses essas pressões entraram numa fase muito mais difícil e perigosa com a agressão militar dos Estados Unidos e do regime israelita contra a República Islâmica do Irão".
A inflação homóloga no Irão em agosto foi de 89%, e a dos alimentos e bebidas de 127,5%.
No sábado, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que as Forças Armadas do seu país impediram a passagem de 100 barcos comerciais para ou a partir de portos iranianos nos últimos 60 dias, desde que Washington reatou "o bloqueio, como um muro de aço, contra o Irão".
A fase atual do bloqueio ao Irão começou em 14 de julho por ordem do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e no final de agosto Washington lançou a operação 'Pária Económico' "para cortar todas as opções económicas de Teerão".
Além disso, desde o início de setembro, tem ocorrido uma importante troca de ataques contra petroleiros entre o Irão e os Estados Unidos, devido à disputa pelo controlo do estreito de Ormuz, chave para o comércio mundial de petróleo, gás e outras matérias-primas.