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Madeira

JPP acusa Governo de chegar tarde à valorização da Tinta Negra

Miguel Ganança defende uma estratégia plurianual para a viticultura, com respostas ao rendimento dos produtores, falta de mão-de-obra, alterações climáticas e abandono das vinhas

Foto JPP
Foto JPP

O JPP considera que o Governo Regional chegou tarde à valorização da casta Tinta Negra e defende agora uma estratégia de longo prazo para assegurar a sustentabilidade da viticultura madeirense.

A posição foi assumida este sábado por Miguel Ganança, deputado e vereador, durante uma visita do grupo parlamentar do partido à Festa das Vindimas, no Estreito de Câmara de Lobos.

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O JPP recorda que, em Março de 2024, propôs que o valor global recebido pelos produtores nunca fosse inferior a 1,50 euros por quilo de Tinta Negra. Poucos dias depois, o Governo Regional anunciou um acréscimo de 20 cêntimos por quilo, posteriormente confirmado como apoio extraordinário para a vindima desse ano.

“Congratulamo-nos com a valorização anunciada para a vindima deste ano, porque confirma aquilo que sempre dissemos: era possível e necessário pagar melhor pela Tinta Negra”, afirmou Miguel Ganança, ressalvando, contudo, que os reforços “não apagam anos de desvalorização nem resolvem os problemas estruturais da viticultura”.

Produção caiu 31% entre 2023 e 2025

O partido sustenta a crítica com dados relativos à evolução recente da actividade. Entre as vindimas de 2023 e 2025, a produção de Tinta Negra terá recuado de 2.975 para 2.049 toneladas, o equivalente a uma quebra de 31,1%.

No mesmo período, o número de viticultores registados na Região terá diminuído de 1.147 para 1.032, uma redução de cerca de 10%.

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Apesar de as previsões para 2026 apontarem para uma recuperação da produção, Miguel Ganança considera que um ano mais positivo não é suficiente para inverter os problemas acumulados.

Chegar tarde tem consequências. Durante anos, foram os agricultores e as suas famílias que suportaram a desvalorização, o aumento dos custos e a incerteza.

Estratégia para além de cada vindima

Para o JPP, o debate sobre a viticultura não deve ficar limitado ao preço pago pela uva. Miguel Ganança propõe uma estratégia plurianual que articule rendimento, mão-de-obra, adaptação às alterações climáticas, acesso à terra e assistência técnica.

O deputado defende também a realização de ensaios no terreno e a definição de metas concretas, considerando que a resposta às alterações climáticas não pode ser feita apenas de forma pontual, em cada época de vindima.

“Uma boa vindima em 2026 será uma excelente notícia, mas não substitui uma política integrada, coerente e de longo prazo para a viticultura”, sustentou.

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A tradicional apanha da uva que assinala a Festa das Vindimas teve, este ano, um cenário diferente.&nbsp;O habitual terreno agrícola deu lugar a um estaleiro onde nascerá um novo empreendimento habitacional privado, um reflexo visível da crescente pressão imobiliária sobre os solos vitícolas da Região Autónoma.&nbsp;<br>Confrontado pelos jornalistas com esta realidade e com a perda de espaço para as vinhas, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, recusou cenários alarmistas.

O partido relaciona ainda a manutenção das vinhas com a preservação da paisagem e do território, defendendo que o abandono agrícola tem impactos que vão além da produção de uva.

Quando desaparece uma vinha, não perdemos apenas uvas. Perdemos rendimento, paisagem e território cuidado.

JPP quer levantamento das zonas com dificuldades de acesso

O JPP desafia também o Governo Regional e a Câmara Municipal de Câmara de Lobos a realizarem, em conjunto com os agricultores, um levantamento das zonas com maior potencial agrícola onde a falta de acessos ou de soluções de transporte esteja a encarecer a produção e a favorecer o abandono.

Miguel Ganança considera que qualquer intervenção deve ser precedida de uma análise das necessidades concretas dos produtores.

Antes de prometer obras, é preciso ouvir quem trabalha a terra, estudar cada zona e perceber onde um acesso ou uma solução de transporte pode realmente reduzir os custos e ajudar a manter as vinhas produtivas.