DNOTICIAS.PT
Mundo

Extrema-direita alemã vai processar chanceler por chamar "limpeza étnica" a "remigração"

None

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) anunciou hoje que vai avançar com um processo por difamação contra o chanceler alemão, Friedrich Merz, por ter descrito o conceito de extrema-direita de "remigração" como "limpeza étnica".

As declarações do chanceler são "criminosamente repreensíveis" e "totalmente inaceitáveis", afirmou o membro do grupo parlamentar do AfD Stephan Brandner, num vídeo publicado nas redes sociais, anunciando o processo por "injúria difamatória".

Os membros do parlamento alemão gozam de imunidade parlamentar, que visa garantir a independência da câmara baixa e permitir-lhes exercer as suas funções sem pressões judiciais ou executivas.

No entanto, a lei prevê uma exceção em caso de injúrias, o único fundamento pelo qual os membros do parlamento --- incluindo o chanceler --- podem ser processados por declarações feitas na câmara.

No domingo, a eleição regional na Saxónia-Anhalt deu a vitória ao partido pró-Rússia e anti-imigração AfD, que obteve quase 44% dos votos, ficando muito à frente do partido conservador CDU (União Democrática Cristã), de Merz, que recebeu 17%.

Na quarta-feira, o chanceler tentou retomar o controlo da situação, acusando o AfD de promover uma "limpeza étnica" através da "remigração", um termo utilizado pela extrema-direita para descrever a sua política de expulsão em massa de estrangeiros.

"A palavra 'remigração' não é mais do que um sinónimo de limpeza étnica baseada na origem e na cor da pele", disse Merz durante um debate no parlamento (Bundestag).

O líder do Governo discursava após um agressivo pronunciamento da co-líder do AfD, Alice Weidel, que lamentou que os alemães tenham de "conviver diariamente com as consequências da imigração em massa".