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Governo britânico atribui manifestações anti-imigração à extrema-direita

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Foto Depositphotos

O Governo britânico atribuiu hoje a responsabilidade dos protestos anti-imigração ocorridos no fim de semana a grupos organizados de extrema-direita e avisou que manifestantes que tenham cometido crimes serão detidos.

Numa declaração hoje no parlamento britânico a propósito de manifestações registadas em Dover, no sábado, e Portsmouth, no domingo, a secretária de Estado do Interior, Sarah Jones, disse que as autoridades ainda estão a recolher informação. 

"Os protestos foram muito diferentes, porque um deles foi claramente organizado por um grupo chamado 'South East Patriots', que faz parte da 'Patriot Platform', que é uma espécie de plataforma racista de extrema-direita. Esse foi claramente organizado", afirmou a representante do executivo britânico.

Em Portsmouth, acrescentou, "foi a resposta a uma série de eventos e houve uma mistura de pessoas residentes locais com indivíduos mais a provocar na Internet".  

"O protesto pacífico é uma parte fundamental da nossa democracia e deve ser defendido. Mas o mesmo se aplica ao direito dos outros cidadãos de viverem as suas vidas sem interferências indevidas, e não pode haver qualquer desculpa para comportamentos ameaçadores ou perturbações graves", salientou.

"Mais de 200" pessoas, indicou Sarah Jones, muitas vestidas de preto e com a cara tapada, concentraram-se na noite de domingo em Portsmouth, bloquearam estradas e gritaram palavras de ordem como "parem os barcos". 

O incidente ocorreu após 120 migrantes terem sido resgatados de um grande barco de borracha no Canal da Mancha, que separa o sul de Inglaterra do norte de França.

Os manifestantes alegaram que estavam a tentar impedir que os migrantes fossem levados para um centro de acolhimento. 

A chegada de migrantes a Portsmouth, cerca de 140 quilómetros a sudoeste de Londres, é invulgar, e os desembarques naquela zona de Inglaterra são raros. 

As travessias em barcos de borracha têm-se concentrado entre Calais e Dover, onde a distância entre as costas francesa e britânica é mais curta.

As autoridades locais temem a abertura de uma nova rota migratória a partir de França, mais a oeste das rotas habituais. 

O barco terá partido da Baía do Sena, cerca de 270 quilómetros de Calais, e foi intercetado junto à Ilha de Wight, a cerca de 240 quilómetros de Dover. 

Após alguns confrontos, os manifestantes foram dispersados durante a madrugada por unidades da polícia de intervenção, que protegeu os autocarros destinados ao transporte dos migrantes.

"Os agentes foram obrigados a recorrer a bastões e gás pimenta para manter a ordem face a alguns atos de agressão", lamentou a secretária de Estado. 

O Ministério do Interior informou que os migrantes vão ser acompanhados segundo o procedimento habitual.

A manifestação em Portsmouth foi a segunda concentração anti-imigração do fim de semana, após um protesto semelhante em Dover no sábado, que impediu temporariamente o acesso ao porto marítimo. 

As duas ações estão associadas a um grupo denominado "Patriot Platform", formado por Daniel Thomas, que filmou e transmitiu em direto nas redes sociais os dois eventos.

Conhecido como 'Danny Tommo', é próximo do ativista de extrema-direita Tommy Robinson, cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon.

O fenómeno das travessias de migrantes em barcos de borracha tem vindo a intensificar-se nos últimos anos, na sequência do reforço da segurança no túnel sob o Canal da Mancha. 

Sucessivos governos britânicos prometeram travar as travessias clandestinas no Canal da Mancha, tema que se tornou controverso e que tem alimentado a ascensão do partido anti-imigração Reform UK, liderado pelo populista de direita Nigel Farage.

De acordo com dados do Ministério do Interior britânico, 16.513 migrantes atravessaram o Canal da Mancha desde o início do ano a bordo de pequenas embarcações. 

Este número representa uma diminuição de cerca de 40% em relação ao mesmo período de 2025, em parte devido ao reforço da cooperação entre Londres e Paris nos últimos anos para tentar travar estas travessias.

Na semana passada, foi anunciado durante um encontro em Londres entre o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, a mobilização de dezenas de agentes adicionais nas praias francesas.