"Política de mobilidade não pode resumir-se a pintar corredores no asfalto e a alterar sentidos"
Luís Filipe Santos considera positiva a aposta nos transportes públicos, mas questiona impacto das alterações sobre peões, moradores, comércio e circulação automóvel
Vereador pede avaliação aos novos corredores BUS no Funchal
O vereador independente na Câmara Municipal do Funchal Luís Filipe Santos defende que as novas alterações à circulação rodoviária no centro da cidade, incluindo a criação de corredores BUS, devem ser acompanhadas por uma avaliação rigorosa dos seus efeitos na mobilidade.
Sem se opor à criação das faixas destinadas aos transportes públicos, o autarca considera importante perceber se as medidas irão efectivamente tornar os autocarros mais rápidos e regulares, sem criar novos problemas de circulação noutras zonas.
“Uma cidade moderna deve privilegiar o transporte público”, reconhece Luís Filipe Santos, sublinhando, contudo, que uma política de mobilidade não pode limitar-se à criação de corredores BUS e à alteração de sentidos de circulação, devendo avaliar o impacto global das decisões.
Uma política de mobilidade não pode resumir-se a pintar corredores no asfalto e alterar sentidos de orientação. É preciso perceber o impacto global destas decisões" Luís Filipe Santos
Entre as medidas que suscitam dúvidas ao vereador está a proibição da circulação pedonal na Ponte do Pelourinho. Luís Filipe Santos pretende conhecer os fundamentos técnicos da decisão e saber quais as alternativas disponibilizadas aos peões.
“Não podemos defender uma cidade mais sustentável e, simultaneamente, dificultar a circulação a pé sem explicar claramente aos funchalenses as razões e as alternativas”, afirma.
O vereador questiona igualmente as consequências da eliminação de estacionamento na Rua da Infância, nomeadamente para moradores e atividade comercial daquela zona.
Para Luís Filipe Santos, a Câmara Municipal deve assumir desde já o compromisso de monitorizar os resultados das alterações através de indicadores objectivos, avaliando os tempos de circulação dos transportes públicos, a regularidade das carreiras, os níveis de congestionamento e os efeitos no trânsito das áreas envolventes.
“Daqui a três ou seis meses temos de saber se estas medidas funcionaram"
“Daqui a três ou seis meses temos de saber se estas medidas funcionaram. Se funcionaram, devemos reconhecê-lo. Se criaram problemas, a Câmara tem de ter a humildade de corrigir”, sustenta.
O vereador considera também necessária uma melhor comunicação das alterações à população, defendendo uma estratégia de mobilidade que consiga conciliar transportes públicos, peões, moradores, comerciantes, estacionamento e circulação automóvel.
Para Luís Filipe Santos, as novas medidas constituem, simultaneamente, uma oportunidade e um teste à capacidade da autarquia para planear, comunicar, acompanhar e corrigir as suas opções.
“Não basta criar corredores BUS. É preciso demonstrar que o Funchal passou efectivamente a circular melhor”, conclui.
Funchal cria novos corredores BUS e altera circulação em várias artérias a partir de amanhã
As alterações abrangem as ruas 5 de Outubro, 31 de Janeiro e do Visconde de Anadia. Ponte do Pelourinho deixa de permitir circulação pedonal