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A Guerra Mundo

Trump afasta intenção de Putin em atacar um país da NATO

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Foto EPA/Lusa

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que teve "boas conversas" com o homólogo russo, Vladimir Putin, do qual disse ter obtido garantias de que não tenciona atacar um país da NATO.

"Tive boas conversas com ele [Putin]. Não vai atacar território da NATO", declarou o líder norte-americano aos jornalistas na Sala Oval da Casa Branca, respondendo a uma questão sobre as intenções do líder do Kremlin.

Donald Trump não especificou as datas das conversas com o homólogo russo e evitou comentar a recente visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscovo.

Anteriormente, o político republicano tinha apenas afirmado, na quarta-feira, que a deslocação do diretor dos serviços de informações norte-americanos foi "quase de rotina".

No mesmo dia, o Wall Street Journal e a estação CBS noticiaram, a partir de fontes não identificadas próximas do assunto, que a viagem teve como objetivo transmitir um aviso à Rússia para que não atacasse países da NATO, no âmbito de um suposto plano de testar a solidez da aliança.

O Kremlin negou hoje o desenvolvimento de planos contra um membro da organização transatlântica, embora acuse os países europeus de seguirem uma política agressiva em relação a Moscovo.

"Ultimamente, têm sido publicadas muitas histórias de terror como esta. Naturalmente, isto não tem nada a ver com a realidade ou com as intenções da Federação Russa", comentou Dmitri Peskov, porta-voz presidencial, na sua conferência de imprensa diária, ao refutar o que considera serem "notícias alarmistas".

A Rússia, que conduz uma ofensiva militar de grande escala contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022, tem negado reiteradamente qualquer intenção de atacar países da NATO.

No entanto, Moscovo considera a expansão da aliança militar para a proximidade das fronteiras russas como uma ameaça existencial e, nos últimos quatro anos, tem avisado para "linhas vermelhas" a respeito do apoio militar fornecido pelos aliados de Kiev.

Apesar de ter afirmado na quarta-feira que a visita do diretor da CIA não estava relacionada com ameaças russas contra a NATO, Donald Trump deu a entender que havia alguma ligação à Ucrânia.

"Gostaríamos que a guerra na Ucrânia terminasse", comentou em entrevista ao radialista conservador Glenn Beck.

Vários países da NATO afirmaram recentemente que foram alvo de operações de sabotagem ou espionagem, no âmbito de atos de "guerra híbrida" atribuídos à Rússia.

Países como a Polónia e a Roménia enfrentaram incidentes com drones e mísseis também atribuídos a Moscovo.

Desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump manteve vários contactos com Vladimir Putin e recebeu-o no mesmo ano para uma cimeira Alasca, restabelecendo uma comunicação com o Kremlin que tinha sido cortada pelo seu antecessor, o democrata Joe Biden, desde a invasão da Ucrânia.

Posteriormente, o líder norte-americano demonstrou porém sinais crescentes de irritação em relação com o homólogo russo, pela persistência do conflito, embora também tenha dirigido duras palavras ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Trump, que antes de ser reeleito prometera terminar o conflito em 24 horas, deparou-se no entanto com as posições inconciliáveis de Moscovo e Kiev, sobretudo sobre o futuro dos territórios ocupados na Ucrânia.

Os relatos sobre um alegado ataque russo em preparação contra a NATO ressurgem regularmente no debate público europeu, apesar dos repetidos desmentidos de Moscovo.

Na segunda-feira, os países da coligação da boa vontade para a Ucrânia, uma aliança de cerca de 30 países, maioritariamente europeus, de apoio financeiro e militar a Kiev, comprometeu-se com o reforço urgente das defesas aéreas ucranianas, numa reunião que coincidiu com a celebração do 35.º aniversário da independência do país.

Os parceiros de Kiev "expressaram a sua determinação em aumentar o apoio militar à Ucrânia, reforçar urgentemente as suas defesas aéreas, intensificar a cooperação com a sua indústria de defesa e partilhar tecnologias relevantes", segundo um comunicado conjunto dos governos da Alemanha, do Reino Unido e da França, que copresidiram a reunião, realizada num formato híbrido a partir de Kiev.

No mesmo dia, o primeiro-ministro do Reino Unido anunciou que a empresa de defesa MBDA vai partilhar os elementos necessários para que Kiev possa fabricar os seus próprios mísseis de longo alcance Storm Shadow, sistemas que Londres já fornece às forças ucranianas, instando a França a juntar-se a esta iniciativa.

Em resposta, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, condenou a "postura agressiva de Londres em relação a Moscovo", advertindo que "poderá conduzir a um aumento da violência e a uma intensificação do conflito, levando-o a um novo nível".