Via Rápida
É profundamente triste abrir o DIÁRIO e ler notícias sobre vidas, que se perderam por culpa da irresponsabilidade de outros. A morte do Edgar, na segunda-feira, não é apenas mais um acidente, é mais uma família destruída, mais uma vida interrompida por comportamentos que todos nós vemos diariamente na estrada.
Ainda mais revoltante é assistir a vídeos onde um idiota conduz uma mota a 240 km/h, como se a via rápida fosse um circuito privado. A minha pergunta permanece, até quando?
Eu sou alguém que, em época escolar, sai de casa cedo para não apanhar trânsito. Eu sou alguém que usa a via rápida todos os dias e vê pessoas inconscientes a colocar a própria vida e a dos outros em risco.
Eu sou alguém que observa, diariamente, quem não respeita limites de velocidade, distâncias de segurança, regras básicas de convivência na estrada. Eu sou alguém que vê condutores a comportarem-se como se estivessem num rally, colados ao carro da frente, a fazer sinais de luzes, a exigir passagem como se a estrada lhes pertencesse.
E volto a perguntar, até quando?
Porque é que ainda não existem radares na via rápida? A sensação que fica é simples, se uma fatalidade tivesse batido à porta de alguém “importante”, as regras já teriam mudado. As pessoas vivem com a ilusão de que a tragédia só acontece aos outros até ao dia em que não acontece.
Quem projetou a via rápida não foi futurista. Daí o trânsito. Daí situações que poderiam ser evitadas. Daí vidas que poderiam ter sido salvas.
E no meio disto tudo, resta-me apenas a ironia de ver que agora vamos ter prédios com 20 andares. Parece que querem, transformar a ilha numa pequena Dubai, mas continuam incapazes de resolver problemas básicos que afetam a segurança de quem vive aqui.
Márcia Dias