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Ceuta disponibiliza dois armazéns para acolher cerca de mil menores sozinhos

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O governo de Ceuta disponibilizou dois armazéns industriais com capacidade para aproximadamente 500 pessoas cada para acolher os cerca de mil menores desacompanhados que entraram de forma ilegal na cidade, foi hoje divulgado.

Em declarações à imprensa, o porta-voz do executivo de Ceuta, Alejandro Ramírez, descreveu como "em colapso e a transbordar" a situação na cidade autónoma espanhola quanto aos menores desacompanhados, dado que tanto o centro de acolhimento como os espaços adicionais disponibilizados já se encontram lotados.

O governo de Ceuta está atualmente a cuidar de mil menores, embora acredite que "o número será maior, pois há muitos que estão nas ruas e ainda não se dirigiram aos locais de acolhimento".

Neste caso, o executivo declarou que a polícia local se encarregará de transportar quaisquer menores que encontre na cidade para os abrigos disponibilizados.

Perante a situação, dois armazéns industriais na zona de Tarajal, perto da fronteira com Marrocos, foram preparados para acolher cerca de 500 menores cada um.

A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migração espanhola, Elma Saiz, anunciou hoje que o Governo central espanhol vai atribuir uma verba extraordinária de 25 milhões de euros a Ceuta destinados à ajuda aos menores desacompanhados que se encontram na cidade.

Elma Saiz precisou que esta verba está a ser transferida do Ministério das Finanças para o Ministério da Juventude e Infância, e fontes do departamento chefiado por Sira Rego confirmaram posteriormente que vão transferir este financiamento extraordinário para Ceuta para os cuidados de emergência a crianças e adolescentes migrantes desacompanhados no enclave espanhol no norte de África.

Estes 25 milhões de euros somam-se aos 5,5 milhões de euros atribuídos na conferência setorial sobre a infância, realizada em julho.

"Esta é uma prova clara do empenho do Governo espanhol em apoiar Ceuta e, sem dúvida, prestar especial atenção aos mais vulneráveis", sublinhou hoje Saiz, em declarações à imprensa, após analisar os dados de inscrição na Segurança Social até 30 de julho de 2026.

Além disso, a ministra da Inclusão apelou "à responsabilidade de todas as comunidades autónomas, incluindo as governadas pelo Partido Popular", para que prestem assistência a estes menores.

Questionada sobre se receberam algum alerta de Marrocos dias antes do afluxo em massa, Saiz afirmou que "em momento algum" se teve "conhecimento de um relatório que alertasse" para a "dimensão deste acontecimento sem precedentes", embora tenha reconhecido que "havia evidentemente informação sobre um aumento de chegadas típico deste período estival".

"É um facto sem precedentes ao qual, aliás, foi dada uma resposta igualmente sem precedentes, que não só quero partilhar, destacar e salientar, como a própria presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aplaudiu e elogiou", insistiu.

Além disso, quando questionada sobre se havia alguma crítica a fazer a Marrocos, a ministra sublinhou que esta "boa gestão" da crise migratória "não teria sido possível sem a cooperação de Marrocos".

Elma Saiz defendeu que "a política migratória do Governo de Espanha se centra sempre nos direitos humanos" e que "mais uma vez, Espanha esteve à altura da situação".

Reagindo ao anúncio do Governo central de 25 milhões de euros adicionais que Ceuta vai receber para lidar com a crise migratória, o porta-voz do executivo de Ceuta afirmou que "são bem-vindos".

Acrescentou, contudo, que o montante total que o governo da cidade autónoma terá de destinar à resolução da crise migratória é "ainda desconhecido" e solicitou ao Governo central mais recursos para este esforço extraordinário de acolhimento.

Cerca de 72.000 migrantes entraram em 24 horas em Ceuta, na semana passada, e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados de Madrid.

Pelo menos 75 pessoas morreram a tentar chegar à cidade espanhola no norte de África a nado.

Ceuta, um pequeno território de cerca de 83.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, a par de outro enclave espanhol, a cidade de Melilla.