Manifestação: 12 de setembro de 2026 - isto não é sobre TVDE
Uma pequena história: éramos apenas um conjunto de crianças, talvez umas vinte, sentadas em bancos de madeira castanha numa sala de aula. Um professor, junto ao enorme quadro preto, falava de algo que tinha acontecido ainda há meia dúzia de anos atrás, mas que a maioria de nós pouco tinha vivido: o 25 de Abril.
Eu deveria ter aí pelos 7 ou 8 anos, e na frente da sala o professor, falava sobre uma revolução histórica; perante perguntas de inocentes crianças sobre o que tinha sido realmente o 25 de abril, aquele homem de vinte e poucos anos disse: “hoje, podemos colocar um banco de madeira no meio da praça, subir para ele, e falar, livremente...
Nem 50 anos passaram desde esse dia na sala de aula... e embora com alguma liberdade, a pergunta que cada vez mais me assola, é: seremos realmente livres? Não viveremos sobre as leis de ditadores, que desenham o mundo a seu belo prazer?!
Há poucos meses fiz uma formação para condutor TVDE. Vou poder - se assim o quiser - transportar pessoas que quer pela sua vida profissional, pessoal, amorosa, evitar conduzir alcoolizados - que aliás foi assim que nasceu a primeira destas plataformas, pelas mãos de dois homens, inteligentes, que não queriam conduzir “bêbados” - enfim, seja qual for a razão que precisem de se deslocar, poder com a facilidade de agarrar no telemóvel e tocar em meia dúzia de “botões”, chamar um transporte para o local, exacto, onde estão.
Um sonho meu de criança, até era ser taxista; o sistema TVDE veio resolver um problema que me aborrecia na altura: esperar horas por um táxi, a meio da noite, que nem sabíamos quando passaria, e se viria “Livre”. Mas, nem tudo foram cravos ou “rosas sobre rosas”, investi algumas centenas de euros e algo do que temos de mais precioso: Tempo, para fazer uma formação - Obrigação, que também era recente, e castrava alguns candidatos.
Um homem na presidência da nossa região que se diz pelo progresso, entretanto não contente, decide dizer que mais ninguém pode ser condutor destas plataformas, e tem suspendido, vez após vez, as tentativas de outros Homens livres exercerem essa atividade. Outro homem na instituição (IMT) que valida essas licenças, prefere seguir leis (?) que entretanto foram já ditas pelo Representante da República como sendo duvidosas e ilegais!
Não sei se ainda somos livres ou não, e se a Polícia deste regime vai me autorizar... mas, dia 12 de setembro, vou exercer a minha Liberdade, subir para um banco de madeira na praça, e dizer: “Albuquerque, Não Queremos Ditadores”!
Duarte de Sousa Melim