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Bill Gates propõe reservar empregos para humanos perante avanço da IA

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Foto Shutterstock

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, propõe criar empregos "reservados aos humanos", que não possam ser substituídos pela inteligência artificial (IA), mesmo que as máquinas sejam capazes de os desempenhar, face ao impacto da tecnologia no mercado de trabalho.

Num ensaio publicado hoje no seu blogue Gates Notes, o magnata e atualmente filantropo, propõe "reservar empregos" para os humanos quando a presença de uma pessoa tenha um "valor especial".

Entre os exemplos que menciona estão os cuidados infantis, enquanto em áreas como a educação e a saúde defende "manter as pessoas na linha da frente" e utilizar a IA como apoio.

"Havia algo nos cuidados que prestaram ao meu pai que era insubstituivelmente humano. Nenhum robô poderia nem deveria tê-lo feito", afirma, ao recordar os cuidadores que acompanharam o pai durante as fases finais da doença de Alzheimer.

Bill Gates defende que a questão não deve ser apenas saber que trabalhos uma máquina pode desempenhar, "mas quais devem continuar a ser realizados por pessoas".

Como exemplo, refere que a inteligência artificial poderá ter capacidade para informar um doente de que sofre de uma doença incurável, sem que isso signifique que lhe deva caber essa tarefa.

O empresário considera que alguns empregos poderão ficar "protegidos de forma permanente", enquanto outros poderão ser "reservados temporariamente para facilitar a transição dos trabalhadores" que exercem uma profissão há décadas.

"Temos de pensar agora em como reduzir a perda de empregos para que todos possam partilhar a prosperidade gerada pela IA", escreve.

Segundo Gates, "até 40% dos empregos poderão ficar abrangidos por algum tipo de categoria reservada aos humanos", embora reconheça que "determinar que empregos devem ser protegidos e quem deve tomar essa decisão levanta muitas dificuldades".

O cofundador da Microsoft propõe também alterar o sistema fiscal para "tributar a automatização", incluindo os 'tokens' utilizados pelos sistemas de IA e os robôs, com o objetivo de "compensar a perda de receitas fiscais decorrente da substituição de trabalhadores e financiar programas de formação e proteção social".

Bill Gates defende ainda a criação de quadros nacionais e internacionais para regular a IA, que, alerta, pode "facilitar ataques biológicos e cibernéticos contra hospitais, sistemas de abastecimento de água ou redes elétricas", ao "dar mais poder a agentes mal-intencionados".