Pastoreio controlado para evitar regresso das infestantes
O Governo Regional quer transformar o pastoreio ordenado numa ferramenta permanente de prevenção de incêndios nas áreas florestais intervencionadas, procurando evitar que terrenos limpos com dinheiro público voltem a ficar cobertos por vegetação inflamável poucos anos depois.
Miguel Albuquerque explicou esta manhã a estratégia durante uma visita a uma intervenção que abrange cerca de 20 hectares, numa área onde a propagação de um incêndio chegou, no passado, a colocar em risco a Estação da Meia Serra.
Depois da remoção das infestantes, a intenção é introduzir pastoreio controlado para assegurar a manutenção da área.
“O que queremos fazer é, nestas áreas que limpamos, na medida do possível, ter pastoreio ordenado e vedado, no sentido de garantir que a zona se mantém limpa e não andamos a gastar dinheiro”, explicou.
A intervenção integra uma estratégia mais vasta de prevenção estrutural de incêndios. O Governo lançou um concurso de cerca de 500 mil euros destinado à limpeza e beneficiação de aproximadamente 200 quilómetros de caminhos florestais, com trabalhos previstos para este ano e para 2027.
Albuquerque anunciou igualmente a preparação de outro procedimento, na ordem dos 400 mil euros, para aquisição de vedações e portões destinados a áreas consideradas particularmente sensíveis, incluindo zonas do Caminho dos Pretos.
O objectivo é permitir a utilização dessas áreas através de pastoreio ordenado, mantendo a vegetação sob controlo depois das intervenções de limpeza.
O presidente justificou a mudança de estratégia com a experiência dos últimos anos. Em áreas extensas anteriormente intervencionadas, explicou, o Governo acabava por regressar dois ou três anos depois para encontrar novamente uma forte proliferação de infestantes.
Albuquerque aproveitou ainda para marcar a diferença entre o modelo que agora pretende alargar e o pastoreio sem controlo.
“Sempre fui a favor do pastoreio ordenado e sempre fui contra o pastoreio desordenado”, afirmou, considerando que a presença controlada de animais pode ser uma solução eficaz para reduzir combustível vegetal e prolongar o efeito das intervenções públicas.