Wall Street fecha em baixa penalizada por inflação e pressão sobre dívida dos EUA
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em queda, penalizada pela subida dos preços do petróleo e perspetivas de subida da inflação, a par do regresso da pressão sobre a dívida norte-americana.
Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average caiu 1,31%, para 52.759,21 pontos, o tecnológico Nasdaq Composite Index perdeu 1%, para 26.067,17 pontos, e o S&P 500 Index, mais abrangente, recuou 0,86%, para 7.641,16 pontos.
"O mercado bolsista não está a reagir bem ao aperto das condições financeiras", realçou José Torres, analista da Interactive Brokers.
Pelas 21:25 (hora de Lisboa), a taxa dos títulos do Tesouro norte-americano com maturidade a 30 anos subiu para 5,25%, face aos 5,19% do dia anterior. A taxa dos títulos com maturidade a 10 anos estava em 4,70%, contra 4,65% na quarta-feira.
Esta subida deve-se, em grande parte, ao anúncio do Presidente Donald Trump de uma "guerra económica" sem precedentes contra o Irão, segundo Torres, o que fez subir os preços do petróleo e aumentou ainda mais as expectativas inflacionistas.
A escalada anulou grande parte do alívio proporcionado no dia anterior pelo Departamento do Tesouro, quando anunciou um programa alargado de compra de obrigações de longo prazo para injetar liquidez no mercado obrigacionista, afastando as taxas dos picos anteriores.
Arun Sundaram, analista da CFRA, referiu à agência France-Presse (AFP) que este tipo de ações é "apenas um paliativo para problemas económicos mais profundos".
O crescente défice norte-americano, com a dívida federal a ultrapassar agora os 40 mil milhões de dólares (34,2 mil milhões de euros), os aumentos significativos de preços e a concorrência das empresas de inteligência artificial no mercado obrigacionista estão a levar os investidores a exigir rendimentos cada vez mais elevados.
"Esta intervenção enérgica do Tesouro cria um ambiente particularmente complexo para a Reserva Federal", acrescentou Kevin Ford, da plataforma Convera.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, sublinhou hoje não dava muita importância aos movimentos recentes no mercado obrigacionista.
"Tudo o que acontece num período de 24 horas é apenas ruído de mercado. (...) Estou convencido de que os rendimentos vão continuar a cair", apontou Bessent.
Entre os principais títulos, destaque para a gigante retalhista Walmart (-9,15%, para 103,84 dólares), penalizada por vendas dececionantes no segundo trimestre nos Estados Unidos.
A plataforma de câmbio de criptomoedas Coinbase (subida de 7,58%, para 172,35 dólares) beneficiou da valorização do Bitcoin, que ultrapassou os 70 mil dólares.
As farmacêuticas norte-americanas Moderna (descida de 23,55%, para 133,32 dólares) e Merck (descida de 2,11%, para 148,99 dólares) corrigiram de fortes ganhos na véspera, quando anunciaram resultados positivos na última fase de testes clínicos da sua vacina experimental de mRNA contra o cancro de pele.