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A Guerra País

Portugal condena ataques russos a Kiev que fizeram 16 mortos

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Foto EPA/Lusa

O Governo português condenou hoje os bombardeamentos russos a Kiev que fizeram esta madrugada pelo menos 16 mortos e dezenas de feridos, numa mensagem do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) publicada na rede social X.

"Portugal condena veementemente os ataques russos desta madrugada contra Kiev (...). Expressamos a nossa solidariedade ao povo ucraniano e às famílias das vítimas, reiterando o nosso firme apoio à Ucrânia", lê-se na mensagem do MNE.

Noutra mensagem divulgada na mesma rede social, o chefe da diplomacia português, Paulo Rangel, congratulou o homólogo ucraniano, Andrii Sybiha, "pela recondução como ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia".

Reiterou igualmente que "Portugal se mantém ao lado da Ucrânia, solidário nestes tempos difíceis e constante no apoio à aspiração europeia do povo ucraniano".

Depois dos bombardeamentos a Kiev e à região circundante, que fizeram, segundo o mais recente balanço das autoridades, 16 mortos e 33 feridos, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a acusar Moscovo de optar pela escalada do conflito.

"Este foi um ataque maciço. Os russos estavam a prepará-lo há muito tempo e combinaram diferentes tipos de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones para causar o máximo de danos possível às infraestruturas civis", afirmou Zelensky.

Na capital ucraniana foram atingidos edifícios residenciais, um hospital pediátrico e uma escola, ao passo que no distrito de Boryspil, nos arredores de Kiev, foram danificados armazéns de alimentos.

O primeiro-ministro ucraniano, Serhiy Koretsky, disse que a ofensiva contra Kiev e a região envolvente se prolongou durante quase nove horas e envolveu dezenas de mísseis e drones.

Infraestruturas civis nas regiões de Odessa e Chernihiv foram igualmente atingidas durante os ataques, segundo as autoridades ucranianas.

"Infelizmente, enquanto Moscovo investe em mísseis balísticos e na escalada do conflito, o mundo nem sempre reage adequadamente a tais ataques", observou Zelensky na plataforma digital Telegram, voltando a lamentar a insuficiência dos sistemas disponíveis para intercetar mísseis balísticos.

A Ucrânia tem solicitado aos Estados Unidos o reforço dos sistemas de defesa aérea, em particular dos sistemas Patriot, considerados essenciais para intercetar os mísseis balísticos russos, mais difíceis de neutralizar do que os drones.

Os ataques russos com mísseis e drones, sobretudo contra Kiev e a região da capital, intensificaram-se nas últimas semanas.

Moscovo lançou 376 mísseis contra a Ucrânia em julho, um número recorde e mais do dobro do registado em junho.

O Ministério da Defesa russo confirmou os ataques desta madrugada, precisando que estes atingiram empresas da indústria militar, um centro de transportes e logística e armazéns em Kiev e nos arredores.

Moscovo anunciou igualmente ter intercetado e destruído 726 drones ucranianos durante a noite.

A Ucrânia tem intensificado, por sua vez, os ataques com drones contra território russo e contra a península da Crimeia, anexada por Moscovo em 2014, afirmando ter como alvos sobretudo infraestruturas militares, logísticas e petrolíferas utilizadas para sustentar a ofensiva russa.

A dimensão dos ataques levou a Polónia a mobilizar meios da Força Aérea no seu espaço aéreo, como medida preventiva.

Na Roménia, dois caças espanhóis e um helicóptero militar romeno foram também mobilizados para acompanhar "alvos" próximos da fronteira com a Ucrânia.

Um drone entrou no espaço aéreo romeno e acabou por se despenhar numa zona desabitada perto de Grindu, segundo as autoridades.

Os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para pôr termo à guerra permanecem estagnados, mais de quatro anos depois do início da invasão russa em grande escala do país vizinho, em fevereiro de 2022, mantendo-se as trocas de prisioneiros e de corpos de militares como uma das poucas áreas de cooperação entre Moscovo e Kiev.