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Economia da Madeira perde ritmo em Maio mas cresce há 62 meses consecutivos

Foto Shutterstock
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A economia da Madeira manteve-se em crescimento em Maio, mas a um ritmo inferior ao registado no mês anterior. O Indicador Regional de Actividade Económica (IRAE) passou de 2,5% em Abril para 1,7%, interrompendo três meses consecutivos de aceleração. Apesar do abrandamento, a Região soma já 62 meses consecutivos com o IRAE em terreno positivo, desde Abril de 2021.

A sequência é longa quando comparada com os períodos anteriores da série que tem sido divulgada pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM). Depois dos valores negativos registados no 1.º trimestre de 2021, o IRAE entrou em terreno positivo em Abril desse ano, com 10,1%, e manteve-se acima de zero em todos os meses seguintes até Maio de 2026.

O indicador atingiu 23,7% em Junho de 2021, o valor mais elevado da série, antes de iniciar uma trajectória de desaceleração. Em 2022 manteve valores positivos durante todo o ano, entre 8,7% em Maio e 0,8% em Dezembro. Em 2023 variou entre 1,2% e 3,3%, em 2024 entre 0,6% e 3,1% e, em 2025, entre 0,6% e 2,7%.

Os primeiros meses de 2026 tinham mostrado uma aceleração: o IRAE passou de 0,4% em Janeiro para 1,1% em Fevereiro, 2,1% em Março e 2,5% em Abril. Agora, em Maio, recuou para 1,7%.

Turismo já dá sinais de perda de velocidade

A evolução de Maio encontra correspondência em alguns dos principais indicadores da actividade regional. No turismo, as dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico diminuíram 1,3% em termos homólogos, depois de uma redução de 0,4% em Abril. Os proveitos totais continuaram, contudo, a crescer, aumentando 8,1%, embora menos do que os 10,6% de Abril.

Também o RevPAR, indicador do rendimento por quarto disponível, desacelerou, passando de um crescimento de 5,8% em Abril para 4,8% em maio. A taxa líquida de ocupação-cama manteve-se nos 67,6%.

Consumo continua a crescer

Do lado do consumo privado, os sinais foram mais favoráveis. A introdução de gasolina no consumo aumentou 6,9%, ainda que abaixo dos 9,3% de Abril. Os levantamentos e compras efectuados com cartões nacionais através de terminais de pagamento automático cresceram 6,3%, acelerando face aos 5,5% do mês anterior.

As vendas de automóveis ligeiros de passageiros deram um salto mais expressivo, com um crescimento homólogo de 9,4%, depois de apenas 0,7% em Abril. O crédito às famílias para consumo e outros fins aumentou 8,7%, ligeiramente abaixo dos 9,1% do mês anterior.

Construção com sinais mistos

No investimento, o comportamento foi menos uniforme. As vendas de automóveis ligeiros de mercadorias cresceram 10,3%, depois de uma quebra de 21,9% em Abril, enquanto os empréstimos a sociedades não financeiras diminuíram 2,5%.

A venda de cimento recuou 1,6%, invertendo o crescimento de 3,7% observado em Abril. Em sentido contrário, o crédito à habitação aumentou 9,3% e o número de edifícios licenciados cresceu 21,2%, embora este último valor represente uma desaceleração face aos 34% de Abril. A avaliação bancária da habitação subiu 17,3%, também abaixo dos 19,1% do mês anterior.

Mercado de trabalho continua a melhorar

No mercado de trabalho, os dados mantiveram uma evolução favorável. O número de desempregados inscritos no IEM diminuiu 5,2% em Maio, depois de uma redução de 4,9% em Abril. Os pedidos de emprego recuaram 4,5%, enquanto as ofertas de emprego, depois de terem aumentado 5,6% em Abril, diminuíram 5,9%.

Comércio e serviços mais confiantes

Os indicadores qualitativos mostram uma melhoria da confiança no comércio e nos serviços, enquanto a indústria transformadora e a construção e obras públicas registaram uma deterioração.

A confiança dos serviços manteve uma evolução positiva, enquanto no comércio também se verificou uma melhoria. Já a construção recuou de 5,6 para 4,5 pontos e a indústria transformadora atingiu -7,7 pontos em Maio.

Exportações em queda, aeroportos e portos em alta

Na procura externa, as exportações de bens diminuíram 6,8%, agravando a queda de 0,7% registada em Abril. As importações cresceram 3,3%, mas muito abaixo dos 17,3% do mês anterior.

Em contrapartida, o movimento de mercadorias nos portos aumentou 5,3% e o movimento de passageiros nos aeroportos cresceu 3,4%. Os pagamentos efectuados com cartões internacionais na rede de TPA aumentaram 3,4%, acelerando face aos 1,6% de Abril.

Inflação acelera para 4,6%

O principal sinal desfavorável surge nos preços. A taxa de inflação homóloga subiu para 4,6% em Maio, contra 3,7% em Abril. A aceleração foi sobretudo determinada pelos serviços, cuja inflação passou de 3,7% para 6,7%. Nos bens, pelo contrário, a inflação abrandou de 3,7% para 2,7%.

A inflação subjacente também acelerou, de 2,7% para 3,7%.

A DREM salienta que o IRAE deve ser utilizado para sinalizar a direcção e a magnitude das flutuações da actividade económica, não constituindo um substituto da variação real do Produto Interno Bruto. O indicador é calculado como uma média móvel de três meses e está sujeito a revisão após a divulgação anual das Contas Regionais.