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Ucrânia: Um ano após cimeira Trump-Putin no Alasca guerra intensificou-se

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Um ano após o Presidente norte-americano, Donald Trump, receber o homólogo russo Vladimir Putin no território dos Estados Unidos, em Anchorage, Alasca, para discutir o fim da guerra russa na Ucrânia, o conflito intensificou-se e ninguém fala de paz.

Durante meses, as autoridades russas agarraram-se a uma expressão: "o espírito de Anchorage", um alegado clima de distensão e diálogo direto com Washington, e um contexto para encontrar uma solução para o conflito mais mortífero em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Dessa atmosfera, é difícil agora encontrar quaisquer vestígios, depois de os esforços de mediação empreendidos pelos Estados Unidos terem estagnado e de a Rússia e a Ucrânia estarem a multiplicar os seus ataques.

+++ Pôr fim à guerra +++

A 15 de agosto de 2025, Trump rompeu com a política de isolamento anteriormente defendida pelo Ocidente em relação a Putin, estendendo-lhe a passadeira vermelha na base militar de Elmendorf-Richardson.

As conversações desse dia decorreram à porta fechada, e os pormenores do que foi acordado permaneceram sigilosos, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, mais tarde revelado haver "uma proposta de compromisso" para pôr fim à guerra na Ucrânia, iniciada pela invasão russa do país vizinho a 24 de fevereiro de 2022.

Segundo o politólogo Serguei Markov, classificado como "agente estrangeiro" pelas autoridades russas, mas que manteve proximidade com o Governo, Moscovo queria lançar as bases para uma "paz duradoura" com a Ucrânia, tentando resolver o que considera serem "as causas profundas" do conflito.

O Kremlin (presidência russa) defende há anos o início de um diálogo com Washington sobre a arquitetura da segurança na Europa, o alargamento da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental), encarado como uma ameaça, e o controlo de armamentos.

O "compromisso" proposto por Moscovo consistia em limitar as suas ambições territoriais à região do Donbass, no leste da Ucrânia, desde que Kiev e Washington "reconhecessem as novas fronteiras" e as sanções norte-americanas fossem levantadas, explicou Markov, citado pela agência de notícias francesa AFP.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, esclareceu em junho de 2026 que "foi feita uma proposta no Alasca, mas nunca se tratou de um acordo".

+++ Deceção +++

Essas condições russas, além de outras, foram incluídas num documento de 28 pontos, posteriormente reduzido para 19, que foi negociado separadamente durante semanas entre Washington, Moscovo e Kiev sem que se chegasse a acordo.

Os Estados Unidos também incentivaram e mediaram uma série de conversações diretas entre a Rússia e a Ucrânia no início de 2026, mas o processo estagnou devido à questão territorial.

A guerra no Médio Oriente, que eclodiu no final de fevereiro deste ano, monopolizou desde então a atenção e os recursos de Washington, não havendo atualmente qualquer novo desenvolvimento diplomático entre Moscovo e Kiev na agenda.

Trump já tinha, em 2019, abandonado um dos dois últimos tratados de desarmamento que vinculavam a Rússia e os Estados Unidos, o INF (que reduziu o número de armas nucleares de alcance intermédio) e, depois de o Novo START (Tratado de Redução de Armas Estratégicas) expirar, em fevereiro deste ano, impôs sanções a Moscovo.

Para Moscovo, que esperava definir com Washington os parâmetros da nova ordem mundial, tal representou uma amarga deceção.

"Nem quero imaginar que o [encontro entre Trump e Putin no] Alasca (...) tenha sido planeado para ganhar tempo, a fim de fortalecer militarmente a Ucrânia", declarou Lavrov em junho.

Uma reunião entre o chefe da diplomacia russo e o homólogo norte-americano no final de julho, em Manila - o primeiro desde setembro de 2025 -, durou apenas cerca de trinta minutos.

Em declarações à imprensa, Marco Rubio reiterou então a intenção de Washington de "desempenhar um papel construtivo" para "pôr fim a uma guerra absurda", mas insistiu que seria "necessário alguma coisa que tanto a Rússia como a Ucrânia possam aceitar".

+++ A escalada +++

No entanto, as condições russas e ucranianas para a conclusão de um acordo de paz são inconciliáveis, e cada uma das partes continua convicta de que pode forçar a outra a recuar através de meios militares.

Embora a frente de batalha esteja praticamente congelada há vários meses, um sinal do esgotamento das forças envolvidas, a Rússia tem demonstrado recentemente ambições de conquista maiores que antes.

"As Forças Armadas russas vão prosseguir as suas missões de libertação do Donbass e da Nova-Rússia, de acordo com o plano aprovado", declarou o Chefe do Estado-Maior, o General Valery Guerasimov perante Putin, no início de julho, referindo-se a territórios que se estendem do leste ao sul da Ucrânia.

Impulsionada pelo apoio europeu, a Ucrânia está a apostar em ataques de longo alcance para infligir danos económicos e sociais cada vez maiores ao adversário.

Ao bombardear refinarias de petróleo, desencadeou uma crise de combustível na Rússia este verão e está agora a atacar armazéns pertencentes ao gigante russo do comércio eletrónico, Wildberries.

Os seus múltiplos ataques à Crimeia, anexada em 2014 por Moscovo, levaram também a uma crise energética na península, declarada este verão em "estado de emergência".

A Rússia, por seu lado, está a intensificar os seus ataques maciços a Kiev e outras regiões da Ucrânia e interrompeu as exportações ucranianas no mar Negro atacando os seus portos e navios.

"O espírito de Anchorage dissipou-se" em favor de uma "violenta escalada" no conflito, afirmou Fyodor Lukyanov, politólogo próximo dos círculos de poder russos, numa entrevista ao semanário russo AIF (Argumentos e Factos) no início de agosto.