Imprensa e redes sociais ajudam na busca por desaparecidos no sismo da Colômbia
Familiares e amigos na Colômbia, com a ajuda dos meios de comunicação social e das redes sociais, continuavam hoje a procurar pessoas desaparecidas após o sismo de segunda-feira, com um balanço provisório de 181 mortos.
O número confirmado de vítimas mortais foi divulgado pela Associação Colombiana de Cidades Capitais (Asocapitales), segundo a qual também há mais de 1.300 feridos, bem como dezenas de edifícios em ruínas, principalmente nas cidades de Pereira e Cali.
As autoridades do país sul-americano não forneceram dados oficiais sobre pessoas desaparecidas, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.
A terra tremeu na Colômbia às 07:34 (13:34 em Lisboa) de segunda-feira, 10 de agosto, devido a um sismo de magnitude 7,4, ocorrido a 103 quilómetros de profundidade.
O epicentro localizou-se em San José del Palmar, no departamento de Chocó, na região do Pacífico, situada na fronteira com os departamentos de Risaralda e Valle del Cauca, entre os mais afetados pela tragédia.
Em Cali e em Pereira, duas das cidades mais atingidas, a população pede ajuda para encontrar os familiares.
Espera-se que o número de vítimas aumente ao longo do dia, à medida que avançam os trabalhos de busca e salvamento, cruciais nas primeiras 72 horas após o sismo para a localização de sobreviventes.
As redes sociais estão inundadas de pedidos de ajuda, de acordo com mensagens citadas pela EFE.
"Juan Romero vive em Pereira, Risaralda. Ajudem-nos a encontrá-lo".
"Procura-se Henry Palacio e Sonia de la Pava, duas pessoas idosas, não há comunicação com eles. Estavam na Unidade Residencial Verona I de Pereira".
"Procura-se a família Lozano Mora em Cali, ajudem-nos a encontrá-los", são algumas das mensagens.
Entre as pessoas que não puderam ser localizadas após o terramoto estão 164 espanhóis, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares.
Uma delas é Alicia Cabrera Zagalaz, de 32 anos, cuja tia, Julia María Cabrera Ruiz, contactou a EFE em Bogotá para tentar obter informações sobre a sobrinha e outros familiares.
Entre os casos com maior repercussão estão o de Darío Patiño Rivera, pai do jornalista Darío Fernando Patiño, residente em Cali, ou o da criança Violeta Guerrero, que estava em casa da avó no Conjunto Residencial Guadalupe, um dos que ruíram e de quem nada se sabe desde então.
As equipas de resgate procuram sem descanso entre os escombros as pessoas que continuam desaparecidas e sobre as quais as autoridades não dispõem de números consolidados.
O sismo de segunda-feira é considerado como a pior tragédia da Colômbia neste primeiro quarto do século XXI.
"Estamos sem eletricidade. Parece-nos mesmo uma cidade de 'zombies'. Sinceramente, é muito triste", lamentou Juan David Gaitan, trabalhador independente em Pereira, cidade já atingida por um sismo que provocou quase 1.200 mortos em 1999.
"Honestamente, ainda não consigo acreditar", disse o tatuador Andres Hernandez à agência de notícias France-Presse (AFP).
"Tive a sensação de estar numa cena de filme, porque via os postes, os cabos, tudo a mexer-se. Preocupo-me com a minha família, os meus amigos", acrescentou.
Na cidade de Manizales, a cerca de 50 quilómetros de distância, uma das torres da catedral desabou.
Entre os voluntários em Cali, Nelson Moreno deslocou-se para salvar uma amiga presa sob dois edifícios de cinco andares. O pai e o bebé da jovem foram encontrados, feridos mas vivos.
"Foi impressionante chegar até aqui. Parecia o fim do mundo", contou à AFP, sublinhando a "necessidade de lanternas e óculos" por causa da poeira, para continuar as operações.
Perante a dimensão da catástrofe, as mensagens de solidariedade surgiram de vários países e organizações.
"Toda a minha força e todo o meu amor para a minha pátria", escreveu a estrela mundial colombiana Shakira nas redes sociais.