Partiu o Homem que me formou, o meu herói: o Pai
Há pessoas que passam pela vida. Outras deixam-na para sempre diferente. O meu Pai pertence à segunda categoria. Partiu o homem que me formou, que me moldou e que fez de mim quem hoje sou. Foi exigente, firme e intransigente nos princípios. Nunca escolheu o caminho mais fácil; escolheu sempre o caminho certo. Ensinou-me que a palavra vale mais do que qualquer assinatura e que o caráter é o maior património que um homem pode deixar.
Enquanto crescia, repetia muitas vezes, entre o humor e a verdade, que eu fazia parte do “PPT” — o Partido do Papá Paga Tudo. Só mais tarde compreendi que aquilo significava muito mais do que sustentar os filhos. Significava assumir, sem reservas, o dever de um Pai: proteger, educar, sacrificar-se e preparar-nos para caminharmos sozinhos.
Foi médico por vocação e por missão. Percorreu milhares de quilómetros para levar medicina de proximidade a quem dela precisava. Faial, Santana, Caniçal, Ribeira Seca, Campanário, Tabua, Arco da Calheta, Calheta. Encontrou, porém, na Medicina Legal uma das suas maiores paixões. Estudou, investigou, escreveu, ensinou e trabalhou incessantemente para dignificar a ciência que tanto amava.
Mas, antes de tudo, foi um homem de família. Um marido dedicado, um Pai presente, um avô super apaixonado. Nunca virou as costas a um amigo. Nunca recusou ajudar quem precisava. Amava a nossa casa, gostava de contar anedotas, sofria e festejava pelo Benfica como poucos e tinha um entusiasmo contagiante pela vida. Foi ele quem me ensinou a andar, a montar a cavalo e, sobretudo, a levantar-me sempre que caía. Obrigou-me a crescer, não porque fosse duro, mas porque acreditava que um filho só honra verdadeiramente o Pai quando consegue caminhar pelos próprios pés. Devo-lhe isso.
Hoje acredito que não desapareceu. Apenas passou para a eternidade, onde certamente reencontrou os seus pais, familiares e amigos. E, conhecendo-o como conheço, continuará a olhar pela Mãe, pelos filhos, pelos netos, pelas noras, pelos amigos e por todos aqueles que amou. A morte leva-nos a presença física, mas não consegue apagar o exemplo.
O meu Pai partiu.
O Homem que me formou permanecerá comigo para sempre.
Pai Amo-te para sempre.