Wall Street fecha sem rumo entre tensão EUA-Irão e atração dos semicondutores
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje sem direção, crispada pelo agravamento da situação entre EUA e Irão, que suscitou o aumento das cotações do petróleo e dos rendimentos obrigacionistas.
O resultado da sessão indica que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average cedeu 1,09% e o alargado S&P500 perdeu 0,28%, ao passo que, pelo contrário, o tecnológico Nasdaq avançou 0,20%, graças às compras a bom preço nos semicondutores.
"A escalada da tensão entre Washington e Teerão provoca turbulência em Wall Street, com Donald Trump a declarar que o cessar-fogo acabou", resumiu Jose Torres, da Interactive Brokers.
Trump avisou hoje que os Estados Unidos se preparavam para atacar mais uma vez o Irão.
Depois destas afirmações, as cotações do petróleo subiram cerca de 5%, com o Brent a chegar mesmo a superar os 80 dólares em sessão pela primeira vez em duas semanas.
"Os investidores receiam uma subida generalizada dos custos" para as empresas e "uma inflação mais forte", realçou Torres.
"Os valores sensíveis à conjuntura estão a sofrer", apontou, mencionando o turismo (Airbnb -3,93%; Booking -4,21%) e os bancos (JPMorgan -2,54%; Bank of America -2,61%).
As petrolíferas beneficiaram do agravamento da situação, com a Chevron a ganhar 1,11%) e a ConocoPhillips 2,10%.
No setor tecnológico, "os valores dos semicondutores suscitaram algum interesse depois das perdas na véspera", apontaram os analistas da Briefing.com, casos de Nvidia (3,65%), Micron (1,11%) e Broadcom (4,83%).
Por outro lado, a divulgação das minutas da última reunião do Comité Monetário da Reserva Federal não teve impacto relevante no mercado.
"Se se puder tirar alguma indicação prospetiva é a de o comité está a examinar um leque amplo de cenários e não vai decidir sem ter a clareza necessária", interpretou Jeffrey Roach, economista-chefe do LPL Financial.
O mercado mantém a expectativa de uma subida da taxa de juro de referência em setembro, segundo o apanhado de previsões feitas pelo CME FedWatch.