O perigo do falso arranque
Sabia que cerca de dois terços dos acidentes rodoviários ocorrem dentro das nossas localidades, à distância de uma simples distracção de um segundo? Ao contrário do que muitos possam pensar, não é nas vias rápidas e autoestradas que se regista a maioria dos sinistros, mas sim nas nossas ruas do dia a dia, em cruzamentos, rotundas e filas de trânsito, onde a desatenção impera.
Ainda em pequenino, no banco de trás e no colo dos meus familiares, por pouco não estive envolvido num choque em cadeia que envolveu meia dúzia de carros, mesmo no centro da cidade. “Sou Bombeiro e Instrutor, e prefiro salvar vidas antes do acidente acontecer”, e é por isso que hoje trago outro alerta sobre um fenómeno muitas vezes ignorado, mas altamente disruptivo: o “falso arranque”. No trânsito lento, parados a apenas um metro do carro da frente, temos a tendência de arrancar mal vemos o outro mover-se. No entanto, se ele hesita e trava bruscamente por qualquer motivo, a colisão traseira é inevitável. Como o evitar? É simples: quando o veículo da frente iniciar a marcha, conte dois segundos pausadamente (soletre simplesmente: e-um-se-gun-do-e-do-is-se-gun-dos) - antes de soltar a sua embraiagem. Esse pequeno compasso de espera dá-lhe a margem de reação e travagem necessária se algo correr mal.
Já em movimento dentro das localidades, onde as velocidades são menores, a lei e a física exigem que mantenhamos pelo menos um segundo de distância temporal (cerca de 10 metros a 40 km/h, o comprimento aproximado de um pequeno autocarro). Lembre-se também de sinalizar todas as manobras com antecedência, deixando o pisca piscar pelo menos três vezes para dar tempo a quem vem atrás de perceber a sua intenção e reagir; ao mudar de fila, olhe para o espelho retrovisor lateral mas também por cima do ombro; tenha muita atenção às extremidades das passadeiras, e aos quase imperceptíveis veículos de duas rodas entre o trânsito.
Evitar um falso arranque e manter um segundo de atenção, é a chave para que a nossa pressa diária não se transforme numa colisão inesperada; afinal, prevenir o primeiro toque é garantir que todos completamos a viagem em segurança. Perca um segundo na vida, mas não estrague o dia num segundo.
Duarte de Sousa Melim