Madeira passa a contar seis géneros botânicos exclusivos
Hoje foi notícia a identificação de um novo género endémico da Madeira.
Os estudos levados a cabo por Miguel Sequeira, do Grupo de Botânica da Madeira, da Universidade da Madeira, e pelos investigadores da Universidade do Kansas Daniel J. Crawford, Mark E. Mort e John K. Kelly, bem como por Benjamin Kerbs, da Universidade da Califórnia, permitiram apurar as diferenças morfológicas e genéticas da espécie até então designada de ‘Tolpis macrorhiza’, que foi rebatpizada como ‘Madeirina macrorhiza’. Desta forma, foi criado um novo género botânico, exclusivo da Madeira.
Mas este não é único. Existem outros cinco que só podem ser encontrados na Natureza no arquipélago da Madeira. Conheça aqui esses géneros endémicos e saiba que espécies incluem.
Um novo género botânico é uma nova categoria de classificação científica criada para agrupar uma ou mais espécies que são suficientemente distintas de todas as outras conhecidas.
Em termos simples, significa que os cientistas concluíram que determinada planta não pertence, afinal, a nenhum dos géneros já existentes e merece um género próprio.
Na classificação biológica, a hierarquia é a seguinte: Reino; Divisão; Classe; Ordem; Família; Género e Espécie. Por exemplo, no caso da ‘Madeirina macrorhiza’, 'Madeirina' é o género e 'macrorhiza' a espécie.
Um novo género é proposto quando estudos detalhados, actualmente, sobretudo através de análises de ADN, mas também da morfologia, anatomia, ecologia e evolução, demonstram que uma espécie ou um grupo de espécies tem uma história evolutiva suficientemente diferente dos géneros onde estava anteriormente incluída.
Ou seja, não se trata necessariamente da descoberta de uma planta nova. Muitas vezes, a espécie já era conhecida há décadas ou séculos, mas a investigação mostra que estava classificada no género errado.
Como referido, o género ‘Madeirina’ inclui apenas a espécie ‘Madeirina macrorhiza’, que habita nas escarpas rochosas e sombrias na floresta Laurissilva, em geral acima dos 700 m, mas que também é frequente nos afloramentos rochosos expostos nos picos mais elevados da Madeira, nomeadamente entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo, onde é bastante comum. Nesta altura do ano, apresenta as suas flores amarelas, bastante atractivas.
Além deste, temos o género ‘Chamaemeles’, que inclui a espécie ‘Chamaemeles coriacea’, vulgarmente conhecida por buxo-da-rocha.
Este pequeno arbusto lenhoso está apontado para a Madeira e para o Porto Santo. Na primeira, vive em falésias do litoral e em algumas escarpas rochosas do interior; na ‘ilha dourada’ está presente em alguns picos.
O género ‘Melanoselinum’ inclui, igualmente, apenas uma espécie, o ‘Melanoselinum decipiens’, ou aipo-do-gado, que vive em zonas escarpadas da floresta Laurissilva, mas também em zonas pedregosas expostas em altitudes mais elevadas. É bastante comum em alguns terrenos agrícolas, onde é cultivada para servir de alimento ao gado, daí a sua designação.
Conforme notam os botânicos e investigadores, trata-se de um exemplo de gigantismo insular, cujos caules chegam a ultrapassar com facilidade os três metros de altura. É uma espécie monocárpica, ou seja, morre após florescer.
A cenoura-da-rocha, ou ‘Monizia edulis’, é a única espécie do género ‘Monizia’, conhecendo-se várias sub-espécies, todas endémicas da Madeira. A subespécie ‘edulis’ é a mais comum, habitando falésias costeiras até aos 400 m de altitude, de preferência em lugares protegidos da luz solar directa. Existe em alguns pontos da serra do Curral das Freiras.
Estamos perante outro exemplo de gigantismo insular. E apesar da sua designação comum poder indicar uma relação com as cenouras comestíveis, esta espécie não tem utilização culinária.
O género 'Musschia' inclui três espécies: a 'Musschia wollastonii' ou tangerão, que pode ser encontrada no interior da floresta Laurissilva; a 'Musschia aurea', que habita escarpas, fendas de rochas e muros, sobretudo no litoral; e a 'Musschia isambertoi', exclusiva da Deserta Grande, e uma das plantas endémicas mais ameaçadas do arquipélago da Madeira.
Recentemente foram desenvolvidos estudos que permitiram evidenciar uma correlação clara entre a morfologia e a distribuição geográfica das populações de altitude superior a 600 metros, a norte e noroeste da ilha da Madeira, sugerindo o reconhecimento de um novo taxon endémico para a ciência, a 'Musschia aurea subsp. angustifolia'.
Por fim, o género 'Sinapidendron', que inclui um conjunto de cinco espécies. São elas o 'Sinapidendron angustifolium', que ocorre em escarpas rochosas do litoral sul da ilha da Madeira; o 'Sinapidendron frutescens', um subarbusto típico de zonas montanhosas e centrais, com subespécies como a subesécie. 'frutescens' e a subespécie 'succulentum'; o 'Sinapidendron gymnocalyx',mais frequente nas escarpas rochosas do litoral norte da ilha da Madeira; o 'Sinapidendron rupestre', que habita locais pedregosos sombrios, nomeadamente na floresta Laurissilva nas montanhas do norte da Madeira; e o 'Sinapidendron sempervivifolium', uma espécie rara restrita à ilha Deserta Grande.
Existem, também, vários géneros com estatuto endémico alargado a toda a região biogeográfica da Macaronésia, que podem ser partilhados com os Açores, Canárias e/ou Cabo Verde, tais como o 'Aichryson', o 'Isoplexis' e a 'Pericallis'.