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Cada euro gerado pelo sector espacial cria mais 1,17 euros na economia portuguesa

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Foto Shutterstock

Por cada euro de riqueza decorrente das atividades espaciais, o setor espacial gera um impacto adicional de 1,17 euros na economia portuguesa através das cadeias de abastecimento e das despesas das famílias, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira.

O Estudo Socioeconómico do Setor do Espaço em Portugal, encomendado pela Agência Espacial Portuguesa (PTSpace) à Novaspace, avaliou o impacto socioeconómico do setor espacial desde a adoção da Estratégia Portugal Space 2030 em 2018 e a criação da Agência Espacial Portuguesa em 2019.

Entre 2019 e 2024, as atividades espaciais contribuíram diretamente com 1,2 mil milhões de euros para o produto interno bruto (PIB) nacional, mas o impacto do setor na economia portuguesa é mais significativo.

Por cada euro diretamente acrescentado ao PIB pelas atividades espaciais, são gerados mais 1,17 euros através das cadeias de abastecimento e das despesas das famílias.

Assim, os autores estimam uma produção económica total de 2,4 mil milhões de euros ao longo de cinco anos.

Comparando com os setores da aviação e da saúde e ciências, o setor espacial, ainda numa fase inicial de desenvolvimento, contribui menos para a economia portuguesa, mas o relatório sublinha o potencial para se tornar um "promissor motor de crescimento económico a longo prazo", devido à ligação com outras indústrias e aos rendimentos que suportam.

Uma das ligações que pode ser aprofundada é, precisamente, entre os setores do espaço e da saúde e ciências, referem os autores, sublinhando que "um setor espacial em crescimento pode beneficiar toda a economia portuguesa".

O estudo compara também o setor espacial aos setores da agricultura e da construção, com valores próximos no que respeita ao efeito multiplicador económico.

Enquanto o setor espacial multiplica por 2,17 o valor que injeta na economia, o setor da agricultura fá-lo por 2,01 e o da construção fá-lo por 2,80.

"Para uma indústria de ponta, que se imaginaria a importar componentes e a exportar tudo o que produz, é um sinal claro do dinamismo das cadeias de fornecimento nacionais", afirma Joan Alabart, gestor de programas de Empreendedorismo, Inovação e Exploração Espacial da Agência Espacial Portuguesa, citado em comunicado.

A capacidade instalada em Portugal é um dos pontos fortes apontados no relatório e, além da localização estratégica no Atlântico, em particular nos Açores, que permitiu posicionar-se como um centro para atividades de acesso e retorno do espaço e de rastreio, e dos ativos de satélite, o país foi capaz de desenvolver competências "em toda a cadeia de valor espacial".

"Embora a indústria nacional continue a expandir as suas capacidades na conceção e fabrico de satélites completos, já demonstra um forte historial em subsistemas críticos, cargas úteis e contribuições para grandes programas internacionais", refere o estudo.

Por outro lado, a Novaspace sublinha também as "capacidades sólidas no domínio das ciências fundamentais e da investigação avançada" e a "expansão notável da base industrial".

Atualmente, existem mais de 150 entidades associadas ao espaço, das quais mais de 80 eram empresas ativas, com Lisboa, Coimbra e a região do Porto como principais polos de atividade.

São, sobretudo, pequenas e médias empresas, e nenhuma ultrapassa os 200 trabalhadores dedicados ao setor espacial, sendo que 76% das receitas resultam da atividade de apenas 14 empresas.

Ainda assim, e apesar de reconhecerem que o setor espacial português é, atualmente, um "contribuinte dinâmico para a inovação, o emprego e a colaboração internacional", os autores identificam alguns pontos fracos, relacionados, em particular, com o financiamento e deixam recomendações, de olhos postos na próxima década.

Entre as orientações estratégicas para apoiar o desenvolvimento do setor até 2040, o relatório identifica cinco pilares estratégicos: aplicações espaciais, desenvolvimento tecnológico, talento, inovação e empreendedorismo e colaborações globais.

Propõe ainda um conjunto de domínios de incidência, incluindo comunicações por satélite, acesso ao espaço e segurança espacial, ciência e exploração espacial, tecnologias emergentes e defesa e segurança.

"O trabalho começa agora e passa por valorizar o Atlântico, garantir o acesso e o retorno do espaço, desenvolver satélites e operações, assegurar comunicações seguras e reforçar o papel de Portugal no caminho da ciência e da exploração espacial", defende o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde.