Repelentes contra mosquitos: mais concentração não significa maior protecção
DECO PROteste avaliou dezenas de produtos e conclui que a eficácia depende sobretudo da substância activa, da forma de utilização e das condições de exposição, e não apenas da percentagem indicada no rótulo
Com o Verão e o aumento da actividade dos mosquitos, cresce também a procura por repelentes. Mas será que um produto com maior concentração da substância activa oferece sempre uma melhor protecção? A resposta é não. Essa é uma das principais conclusões de um estudo da DECO PROteste, que demonstra que a percentagem do ingrediente activo, por si só, não determina a eficácia do repelente.
A associação de defesa do consumidor explica que os produtos com concentrações entre 10% e 35% de substância activa proporcionam, na maioria das situações e quando utilizados por adultos, uma protecção eficaz e com duração adequada. Por isso, a escolha do repelente deve ter em conta, acima de tudo, o risco de exposição aos mosquitos e o tempo durante o qual será necessária a protecção.
Segundo a análise, optar por um produto com uma concentração muito elevada nem sempre representa uma vantagem. Em ambientes urbanos ou em situações de exposição moderada, um repelente com uma concentração intermédia pode oferecer uma protecção semelhante à de outro mais concentrado, evitando uma exposição desnecessária a quantidades superiores de substância activa.
O melhor do teste
O repelente que obteve a classificação mais elevada destacou-se pelo seu desempenho em praticamente todos os critérios avaliados. Revelou uma muito boa eficácia a curto prazo e uma excelente protecção a longo prazo, assegurando uma repelência eficaz durante várias horas.
Também a informação constante no rótulo recebeu uma avaliação muito positiva. Os especialistas consideraram que o produto disponibiliza indicações claras sobre a forma de utilização, as precauções de segurança, as condições de conservação e a duração expectável da protecção, permitindo ao consumidor utilizá-lo de forma mais segura e eficaz.
A única componente que mereceu uma classificação significativamente inferior foi a embalagem. Apesar de possuir embalagem secundária, o produto perdeu pontos por não dispor de um sistema de selagem, que permita garantir ao consumidor que não foi previamente aberto ou adulterado, e por não identificar o tipo de material utilizado na embalagem, informação considerada importante para facilitar a correcta separação e reciclagem dos resíduos.
A eficácia depende de vários factores
A DECO PROteste alerta que a eficácia observada em laboratório pode variar quando o repelente é utilizado no dia-a-dia. Existem diversos factores capazes de reduzir a duração da protecção, obrigando a uma nova aplicação do produto.
Entre esses factores encontram-se a temperatura ambiente, a humidade, a intensidade da actividade física, a transpiração, a quantidade aplicada, a exposição à água — seja através da chuva, do banho ou da natação — e até o tipo de pele de cada utilizador.
Em dias muito quentes ou quando existe transpiração intensa, por exemplo, a película protectora formada pelo repelente tende a desaparecer mais rapidamente, reduzindo o tempo de eficácia. O mesmo acontece após mergulhos ou banhos prolongados, situações em que poderá ser necessária uma reaplicação, sempre respeitando as indicações do fabricante.
Como escolher o repelente mais adequado
Para a associação de consumidores, a escolha do repelente deve começar pela avaliação do contexto em que será utilizado. Quem permanece pouco tempo ao ar livre ou frequenta zonas com reduzida presença de mosquitos poderá necessitar apenas de um produto com concentração moderada. Já em áreas de maior risco ou durante actividades prolongadas no exterior poderá justificar-se um repelente com maior duração de protecção.
Independentemente da concentração, é fundamental aplicar o produto correctamente. A DECO PROteste recomenda que seja distribuído apenas sobre a pele exposta, evitando o contacto com os olhos, boca, mucosas e pele lesionada. No caso das crianças, a aplicação deve respeitar as recomendações de idade constantes no rótulo e, sempre que possível, ser efectuada por um adulto.
Mais do que a concentração
A conclusão da análise é clara: um bom repelente não é necessariamente aquele que apresenta a maior percentagem de substância activa. A qualidade da formulação, a duração efectiva da protecção, a clareza da informação prestada ao consumidor, a facilidade de utilização e a segurança da embalagem são factores igualmente determinantes para garantir uma utilização eficaz e segura.
Assim, antes de comprar um repelente, vale a pena olhar para muito mais do que o número indicado na embalagem. A escolha deve ser feita em função das necessidades de cada utilizador e das circunstâncias em que o produto será utilizado, privilegiando soluções que conciliem eficácia, segurança e informação transparente.