MADS já conta com uma sede no centro do Funchal
Depois da representação de ‘Os Maias’, grupo já prepara um espectáculo de Natal, que deverá subir à cena na primeira semana de Dezembro
O Madeira Amateur Dramatic Society (MADS) dispõe, a partir de agora, de uma sede. Depois de 32 anos de existência, esta associação ligada às artes da representação, primeiro sobretudo em inglês e mais recentemente em português, passa a contar com um espaço próprio, cedido pelo Governo Regional, situado no Centro Cívico de Animação e Cultura Edmundo Bettencourt, na Rua Latino Coelho, no centro do Funchal.
Esta primeira sede oficial é considerada pelos responsáveis do MADS um marco na sua história de mais de três décadas, tendo a sua inauguração acontecido estar tarde, com a presença do presidente do Executivo madeirense, Miguel Albuquerque. O momento representa o concretizar de uma ambição antiga e abre novas possibilidades para o trabalho desenvolvido pelo grupo de teatro.
“É o reconhecimento de um trabalho de mais de 30 anos que o MADS vem realizando, sempre procurando melhorar, sempre procurando aprimorar o seu trabalho”, afirmou o presidente da associação, Eduardo Gaspar, sublinhando que a nova sede constitui “uma conquista e uma alegria muito grande”. “É um espaço que nos toca muito o coração e estamos muito felizes que a Direcção Regional da Cultura nos tenha cedido esse espaço”, acrescentou.
A nova sede servirá, numa primeira fase, para guardar figurinos, adereços e elementos cénicos acumulados ao longo da história da companhia, além de acolher as primeiras leituras dos textos dos novos espetáculos. "As leituras iniciais conseguimos fazer aqui e queremos ainda dinamizá-lo de alguma maneira, mas ainda agora estamos inaugurando. Agora é festa e depois vamos pensar realmente o que vamos fazer daqui para a frente”, explicou.
O espaço guarda diversos objectos utilizados em produções anteriores, que Eduardo Gaspar encara como parte do património da associação. “Aquela cama já foi utilizada em três espetáculos que nós fizemos e ela não está ali por acaso, faz parte da história do MADS”, exemplificou, referindo ainda mobiliário criado especificamente para determinadas encenações e que agora ganha uma nova utilidade na preparação dos actores.
Actualmente, o grupo integra cerca de 15 actores, número que vai sendo reforçado através de castings realizados para cada nova produção. Segundo o presidente, é frequente receber contactos de pessoas interessadas em fazer teatro.
“Sempre acolhemos as pessoas e gostamos que venham. Para nós é sempre muito positivo, novas pessoas, novas experiências, é muito gratificante”, afirmou, lembrando que o recente espetáculo ‘Os Maias’ obrigou ao recrutamento de novos intérpretes para algumas personagens. “A Madeira tem muita arte, muita gente fazendo arte”, apressou-se a apontar.
Depois da adaptação de ‘Os Maias’, que esteve em cena este mês, o MADS já prepara a habitual produção natalícia, que deverá subir ao palco do Centro de Congressos da Madeira na primeira semana de Dezembro, embora o tema ainda não seja divulgado.
A associação mantém o objectivo de apresentar duas produções por ano, apesar das limitações financeiras. “É sempre muito complicado, porque o dinheiro nunca dá. Algumas ideias acabam por não ser realizadas, geralmente por questões de orçamento, mas vamos fazendo, e vamos fazendo cada vez mais”, reconheceu Eduardo Gaspar.
O financiamento resulta sobretudo dos apoios atribuídos pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direcção Regional da Cultura, na sequência das candidaturas anuais apresentadas pela associação. Este ano, o MADS contou ainda com um apoio da Câmara Municipal do Funchal, no âmbito do programa de apoio ao associativismo, para a produção de ‘Os Maias’.
Cada espetáculo representa cerca de seis meses de trabalho, desde a adaptação ou escrita do texto até à estreia. No caso de ‘Os Maias’, Eduardo Gaspar revelou ter dedicado três meses à adaptação da obra de Eça de Queiroz, seguindo-se cerca de dois meses de ensaios e a fase de produção.
Questionado sobre o percurso da associação, fundada na comunidade britânica da Madeira e inicialmente dedicada à apresentação de peças em inglês, o presidente explicou que a realidade evoluiu. Hoje, a maioria das produções é apresentada em português, sem excluir projectos bilingues quando o contexto artístico o justifica.
Embora reconheça a existência de obstáculos ao longo de um percurso de 32 anos, no dia da inauguração da nova sede, Eduardo Gaspar preferiu destacar o momento de celebração vivido pela associação. “Hoje particularmente eu vejo só alegria, não vejo dificuldades. Elas existem sempre e sempre existirão, mas a gente procura fazer com muita responsabilidade, principalmente ao público, que é quem merece o nosso respeito e toda a nossa dedicação”, concluiu.