DNOTICIAS.PT
Mundo

Lucro da Audi cai 16,6% até junho devido às tarifas dos EUA e à concorrência na China

None
Foto ShutterStock

Os lucros dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) caíram 22,7% em 2025, para 30,9 milhões de euros, reflexo, segundo a empresa, das convulsões pós-eleitorais, escassez de divisas e mais de 100 descarrilamentos.

Segundo o relatório e contas de 2025, a que a Lusa teve hoje acesso, a empresa registou um resultado líquido de 1.994 milhões de meticais (30,9 milhões de euros), abaixo dos lucros de 2.580 milhões de meticais (40 milhões de euros) alcançados em 2024.

Os CFM referem que o desempenho foi afetado pela "contração da atividade económica no primeiro trimestre devido à insegurança dos agentes económicos, associado às convulsões sociais pós-eleitorais", caracterizadas, entre outubro de 2024 e março de 2025, por bloqueios de vias e saques a estabelecimentos comerciais.

A empresa aponta igualmente que a "escassez das divisas" no país "afetaram significativamente a importação de combustíveis e outros produtos", condicionando o transporte ferroviário e o manuseamento portuário de mercadorias.

No relatório destaca-se ainda 104 descarrilamentos ferroviários, dos quais 43 na região sul e 61 na região centro, que provocaram danos avaliados em cerca de 512 milhões de meticais (7,9 milhões de euros).

Apesar disso, as receitas de vendas e prestação de serviços cresceram 4,1%, para 21.387 milhões de meticais (331,4 milhões de euros), impulsionadas pelo transporte e manuseamento de mercadorias, principal fonte de receitas da empresa.

Os rendimentos financeiros aumentaram para 3.940 milhões de meticais (61 milhões de euros), face aos 2.916 milhões de meticais (45,2 milhões de euros) de 2024, beneficiando sobretudo do aumento dos dividendos recebidos, que passaram de 1.687 milhões de meticais (26,1 milhões de euros) para 2.725 milhões de meticais (42,2 milhões de euros).

Os ativos dos CFM ultrapassaram pela primeira vez os 100 mil milhões de meticais (1,55 mil milhões de euros), enquanto a tesouraria aumentou para quase sete mil milhões de meticais (108,4 milhões de euros).

Os CFM são uma empresa pública detida integralmente pelo Estado moçambicano e responsável pela gestão de parte significativa das infraestruturas ferroviárias e portuárias do país. A empresa explora diretamente as linhas férreas de Ressano Garcia, Limpopo e Goba, na região sul, o sistema ferroviário da Beira, na região centro, bem como os portos de Nacala, Pemba e Quelimane e diversos terminais especializados.

Paralelamente, a empresa opera num modelo que combina gestão direta e concessões atribuídas a operadores privados em vários sistemas ferroportuários, incluindo os corredores de Maputo, Beira e Nacala, mantendo ainda participações em diversas sociedades ligadas à atividade logística e portuária.