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Trump reivindica mérito de os EUA receberem 50% dos lucros da nova ponte com Canadá

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, reivindicou hoje o mérito de os Estados Unidos receberem 50% dos lucros da nova Ponte Internacional Gordie Howe, que liga o país ao Canadá.

"O acordo original sobre a ponte, que foi terrivelmente negociado por uma administração anterior, já não está em vigor. Modificámos os termos do acordo para que os Estados Unidos recebam agora 50% dos lucros", frisou o republicano na sua plataforma de redes sociais, Truth Social.

Depois de Trump ter anunciado uma tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos canadianos, o Canadá cancelou a cerimónia conjunta de inauguração da ponte, que entrará em funcionamento na próxima segunda-feira e ligará Detroit, Michigan, a Windsor, Ontário.

"Dadas as ameaças de medidas comerciais dos Estados Unidos no início desta semana, seria inapropriado avançar com um evento comemorativo entre os dois países", frisou Jenna Ghassabeh, porta-voz do ministro das Infraestruturas do Canadá, Gregor Robertson, na terça-feira.

Trump afirmou na sua mensagem que "o Canadá retirou o convite aos Estados Unidos para a inauguração da Ponte Gordie Howe, o que é compreensível, dado que pagam tarifas substanciais aos Estados Unidos".

A ponte de 2,4 quilómetros atravessa o rio Detroit, ligando Detroit a Windsor, e recebeu o nome da lenda canadiana do hóquei, Gordie Howe, que jogou 25 temporadas nos Detroit Red Wings.

A cerimónia de inauguração estava inicialmente marcada para 12 de junho, mas foi adiada depois de as autoridades terem declarado que os Estados Unidos e o Canadá ainda estavam a trabalhar para resolver "questões pendentes".

A inauguração da ponte, por isso, decorreu hoje de forma discreta.

"Esta ponte é uma prova do que podemos construir quando trabalhamos em conjunto", frisou o ministro da Habitação e Infraestruturas, Gregor Robertson, na infraestrutura.

A cerimónia, realizada perante um grupo restrito de convidados canadianos, ocorre no final de uma semana de tensões elevadas entre o Canadá e os Estados Unidos.

Após o anúncio das novas tarifas norte-americanas na segunda-feira, o primeiro-ministro Mark Carney declarou estar a "explorar todas as opções" em relação a uma possível resposta a estas ameaças tarifárias.

Carney enfrentou também duras críticas durante a semana, sobretudo da oposição conservadora, após a divulgação, na terça-feira, da proposta de acordo em princípio referente à ponte, considerada altamente favorável aos Estados Unidos.

Os seus termos estipulam, entre outras coisas, que o Canadá deverá efetuar pagamentos equivalentes a 50% da receita líquida gerada pela ponte durante um período de 15 anos.

"É um bom acordo", garantiu Mark Carney aos jornalistas na quinta-feira, sublinhando que o acordo inicial assinado em 2012, segundo o qual não haveria partilha da receita das portagens até que a dívida canadiana fosse liquidada, "continua em vigor".

A gestão financeira da ponte já tinha sido o cerne da disputa entre o Canadá e os EUA quando Donald Trump declarou, em fevereiro, que os Estados Unidos deveriam deter "pelo menos metade" da mesma. O Canadá acabou por financiar todo o projeto.

As tensões entre Washington e Otava sobre as tarifas passaram por várias fases de intensidade ao longo do último ano e reacenderam-se na semana passada, depois de Trump ter ameaçado impor mais tarifas, acusando o Canadá de negligência nos incêndios.