Lucros da Tesla caem devido a gastos com investigação apesar de forte aumento nas vendas
A Tesla anunciou hoje que os seus lucros caíram no último trimestre, após a fabricante automóvel liderada por Elon Musk ter investido mais dinheiro em investigação e desenvolvimento, reduzindo os ganhos mesmo após um forte aumento nas vendas.
A receita da empresa de Austin, no Texas, subiu 26% em termos homólogos, para 28,24 mil milhões de dólares, mas o lucro líquido caiu 17% para 1,15 mil milhões de dólares.
O consenso dos analistas da FactSet previa 26,42 mil milhões de dólares e 1,82 mil milhões de dólares, respetivamente.
Pela primeira vez, a Tesla ultrapassou a marca dos 100 mil milhões de dólares em receitas em relação ao ano anterior.
Por ação, excluindo itens excecionais, um indicador-chave para o mercado, o resultado líquido foi de 0,33 dólares (queda de 18% face ao ano anterior), enquanto os analistas esperavam 0,53 dólares.
Na sessão prolongada após o fecho da Bolsa de Nova Iorque, as ações da Tesla caíram 3,03%.
No início de julho, o grupo anunciou um aumento de 25% nas vendas (480.126 veículos entregues) em todo o mundo (a empresa não divulga dados por país) em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando as vendas sofreram devido às posições políticas do seu CEO.
Elon Musk, o homem mais rico do mundo e o primeiro a ultrapassar a marca de um bilião de dólares em património líquido, era na altura muito próximo do Presidente Donald Trump e tinha apoiado governos de extrema-direita na Europa.
Em meados de julho, declarou apoio a Marine Le Pen, candidata do Rassemblement National (RN), ex-Frente Nacional, à eleição presidencial francesa de 2027, declarando-a "a última esperança da França".
A rentabilidade da Tesla no segundo trimestre foi impactada não só por um preço médio unitário mais baixo, devido às ofertas promocionais, mas também por créditos regulamentares mais baixos e por um problema não especificado com o armazenamento de energia que resultou numa sobretaxa excecional relacionada com a garantia.
Um tema acompanhado de perto pelos mercados é o lançamento do software Full Self-Driving (FSD), que, desde o início de 2025, só está disponível através de uma subscrição mensal.
Anteriormente, era também possível efetuar um pagamento único, no momento da compra do veículo, de aproximadamente 8.000 dólares.
De acordo com o comunicado de imprensa, o número de assinaturas no momento da compra continua a crescer.
Entretanto, "o segundo trimestre foi um trimestre sólido para os nossos principais negócios em automóvel, energia e serviços, bem como para as iniciativas de fabrico, infraestruturas e inteligência artificial", indicou a Tesla, especificando que a "prioridade continua a ser fortalecer" estes negócios.
A empresa pretende ainda "fazer os investimentos necessários para alcançar a Abundância Fantástica", uma missão que Elon Musk atribuiu à sua empresa em nome da humanidade.
A Tesla acrescentou que a escassez de baterias representa "o principal fator limitante a curto prazo para o volume de produção de veículos", sublinhando que a gigantesca Megafábrica do Texas está quase concluída e deverá iniciar a produção até ao final do ano.
Além disso, o grupo está a preparar-se, incluindo a seleção do local, para estabelecer a sua fábrica de semicondutores e equipamentos solares.