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Israel aprova programa-piloto para entrada da Comissão de Paz em Gaza

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O Conselho de Segurança de Israel aprovou hoje um programa-piloto para restabelecer a gestão de recursos básicos no sul de Gaza, supervisionado no terreno pelos organismos do Conselho de Paz dos EUA, noticiaram os meios de comunicação israelitas.

O objetivo é estabelecer, nas próximas semanas, uma "zona humanitária" piloto na cidade de Rafah, no extremo sul de Gaza, totalmente controlada pelo exército de Israel, segundo o jornal israelita Yedioth Ahronoth, recordando o órgão criado no início do ano pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para a supervisão do processo.

A criação deste espaço implicaria o destacamento da Força Internacional de Estabilização prevista no acordo de trégua.

A medida foi aprovada pelo Conselho de Segurança de Israel, composto por membros do Governo e outros altos responsáveis do setor da segurança nacional, apenas com os votos contra do ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, Segundo o Yedioth Ahronoth.

Um alto funcionário israelita declarou à imprensa local que o contingente da Força Internacional de Estabilização que entrará no enclave será composto por "cerca de 200 representantes de países amigos (de Israel), como o Uganda ou Marrocos".

O programa implicará a construção de habitações temporárias para a população que decida mudar-se para esta zona-piloto em Rafah, tendo de ser previamente submetida a processos de verificação para descartar ligações ao grupo islamista palestiniano Hamas.

Os meios de comunicação israelitas não referem em que consiste esse processo nem o que será considerado uma ligação à organização.

"Trata-se da primeira zona a ser gerida pelo 'Governo de tecnocratas' palestiniano (NCAG, na sigla em inglês), com o apoio da Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês), que está a ser constituída nestes dias e será composta por soldados de vários países", continua o Yedioth Ahronoth.

A entrada desta força dependerá da aprovação, ainda pendente, do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, do ministro da Defesa, Israel Katz, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar.

Segundo o alto funcionário citado pela imprensa local, Israel continuará a ocupar território até à "linha amarela", a demarcação imaginária para a qual as tropas se retiraram no início da trégua, que o exército tem vindo a deslocar para ganhar terreno, violando a trégua nos últimos meses.

"Não haverá retirada de forma alguma até que o Hamas se tenha desarmado e Gaza tenha sido completamente desmilitarizada", acrescenta, indicando que, se o projeto-piloto der certo, será alargado a outras zonas de Gaza.

A criação de uma zona em Rafah para onde a população de Gaza seria deslocada à força, concentrando ali um melhor abastecimento de recursos básicos, já fazia parte do plano de Netanyahu para 2025, tendo ele apresentado essa iniciativa numa conferência de imprensa realizada em maio desse ano.

Já nessa altura, a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA) alertou que esta suposta zona humanitária poderia constituir a criação de "campos de concentração em grande escala".

Meses mais tarde, com o acordo de cessar-fogo em vigor e a Comissão de Paz já constituída, uma análise da agência de investigação londrina Forensic Architecture, baseada em imagens de satélite, revelou que se estava a nivelar o terreno em Rafah para criar uma destas comunidades-piloto, desta vez sob os auspícios do órgão criado por Donald Trump.