PAN diz que cansaço com eleições não dá "cheque em branco" ao Governo
A deputada única do PAN afirmou que o cansaço dos portugueses com eleições não dá "um cheque em branco" ao Governo e acusou o primeiro-ministro de procurar parceiros pouco fiáveis, em vez de dialogar com todo o Parlamento.
"Os portugueses estão fartos e cansados de eleições, isso não pode significar um cheque em branco para o Governo achar que pode fazer o que bem entender e acima de tudo que brinca com as preocupações dos portugueses", criticou Inês de Sousa Real em declarações à Lusa, em antecipação do debate do estado da Nação, agendado para a próxima quinta-feira, no Parlamento.
A também porta-voz do PAN defendeu que o Governo deve procurar "parceiros de confiança e não estar a ir atrás de 'soundbites' nem de momentos políticos que forças como o Chega procuram criar para continuarem a alimentar o seu capital político".
Para Sousa Real, Luís Montenegro "não tem procurado fazer as parcerias certas com as forças políticas certas" e o Governo tem optado por um "constante virar de costas a todo o Parlamento".
"Os portugueses escolheram ter um Parlamento plural e, por isso mesmo, o Governo deveria falar com todas as forças políticas, (...) há várias forças políticas disponíveis para contribuir em prol dos avanços que o país precisa", frisou
A deputada do PAN considerou ainda que o primeiro-ministro "acertou bastante ao lado" na definição das suas prioridades, dando como exemplo a tentativa de rever a legislação laboral e a opção de acompanhar debates promovidos pelo Chega, como a proibição da utilização da burca.
Sousa Real defendeu que o Governo deveria antes concentrar-se no acesso à habitação, transportes públicos, saúde, no aumento do custo de vida e no combate às alterações climáticas.
No debate do estado da Nação, Sousa Real adiantou que exigirá explicações ao primeiro-ministro sobre os problemas na avaliação dos exames nacionais, considerando que o ministro da Educação não esclareceu de forma cabal "o que está a correr mal" e as razões para um processo que classificou como "atropeladsero".
Inês de Sousa Real apontou igualmente o combate à violência doméstica como uma prioridade, defendendo que esta deve ser tratada como um "grave problema de segurança nacional" e lamentando a falta de avanços nesta área, apesar das promessas do Governo.
O PAN pretende ainda confrontar Luís Montenegro com aquilo que considera ser uma ausência de prevenção perante incêndios, ondas de calor, tempestades e situações de falta de água, como as que se registaram em Almada.
Para a próxima sessão legislativa e para o Orçamento do Estado, o PAN quer insistir na aplicação de IVA zero aos bens essenciais do cabaz alimentar, na redução para 6% do IVA dos serviços veterinários, na recuperação de programas como o 'Housing First' para pessoas em situação de sem-abrigo e vítimas de violência doméstica, e em benefícios fiscais para jovens que pretendam comprar a primeira casa.
Inês de Sousa Real defendeu ainda que o próximo Orçamento do Estado deve representar uma mudança de prioridades e, recorrendo às analogias futebolísticas usadas por Luís Montenegro, disse esperar que desta vez o primeiro-ministro "tenha melhor pontaria" na discussão orçamental, porque até agora "tem falhado muito à baliza".