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Polícia no Brasil mata 18 pessoas por dia e letalidade é maior da última década

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Foto EPA/ANTONIO LACERDA

As polícias brasileiras mataram 6.602 pessoas em 2025, registando 18 óbitos diários e o maior número absoluto da série histórica, segundo o novo relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Este volume de mortes decorrentes de intervenções policiais cresceu 5,4% em relação a 2024, e reflete uma realidade estrutural do quotidiano nacional, de acordo com o levantamento da organização não-governamental, que divulgou hoje o 20.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.

Numa década, ou seja, entre 2015 e 2025, 60.558 pessoas foram mortas em ações policiais no Brasil.

Enquanto os homicídios dolosos caíram, a letalidade policial seguiu tendência inversa, representando uma em cada seis mortes violentas intencionais.

O perfil das vítimas mantém um padrão de desigualdade, sendo que 99,3% dos mortos são homens e 82% são pessoas negras.

Entre os estados brasileiros, o Amapá, na região Norte, registou a maior taxa de letalidade policial, com 17,1 mortes, seguido pela Baía, no Nordeste, com 10,6.

Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a "Operação Contenção", em outubro de 2025, no Rio de Janeiro, simboliza esse cenário ao resultar em 122 mortes em dois dias, superando o Massacre do Carandiru, em 1992, que resultou na morte de 111 presos.

No anuário destaca-se que "o desafio atual deixou de ser apenas operacional e passou a envolver mecanismos de controle institucional, transparência, responsabilização e prevenção da captura das instituições públicas pelo crime organizado".

A organização não-governamental destaca a necessidade de mecanismos como câmaras corporais nos agentes de segurança pública, para garantir que o uso da força por polícias seja a última alternativa.

"É facto que parte das mortes por intervenção policial podem se relacionar com o uso da força de modo legítimo. No entanto, a partir os dados obtidos, não é possível distinguir quais casos são legítimos ou não", lê-se no relatório.

"Para todos os casos é necessária a atuação de monitoramento, como o uso ininterrupto das câmaras corporais, e fiscalização interna, por meio das corregedorias, bem como, externa, com a atuação do Ministério Público sobre as polícias brasileiras", conclui.