DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Congresso dos EUA aprova resolução para limitar guerra e pressiona Trump

None

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (EUA) aprovou hoje uma resolução que exige autorização do Congresso para a continuação da guerra contra o Irão, numa demonstração de descontentamento com a estratégia do Presidente Donald Trump.

A resolução foi aprovada na câmara baixa do Congresso por 214 votos contra 208, com alguns republicanos a juntarem-se aos democratas, e segue agora para o Senado (câmara alta), que deverá analisar uma iniciativa semelhante ainda hoje.

Embora não seja vinculativa, a votação representa um novo aviso político ao Presidente republicano, numa altura em que a guerra se prolonga, aumenta o número de militares norte-americanos mortos e crescem as dúvidas, inclusive entre membros do Partido Republicano, sobre os objetivos da intervenção.

"A guerra não teve nenhuma missão clara, nenhuma estratégia, nenhum objetivo final", afirmou a congressista democrata Pramila Jayapal, que liderou a iniciativa na Câmara dos Representantes.

A maioria dos republicanos votou contra a resolução, defendendo a manutenção da atuação militar da administração Trump.

Durante o debate, o presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes, o republicano Brian Mast, leu os nomes dos 18 militares norte-americanos mortos desde o início do conflito com a República Islâmica, em fevereiro passado, e afirmou que pôr em causa a operação militar seria "desmerecer o próprio serviço" pelo qual estes soldados "deram a vida".

Já o principal democrata da comissão, Gregory Meeks, contrapôs que os militares fizeram "o sacrifício supremo por uma guerra ilegal e não autorizada que o povo norte-americano não quer", defendendo que o Presidente deve obter autorização do Congresso antes de prosseguir a campanha militar.

Os ataques aéreos norte-americanos contra o Irão prosseguem enquanto permanecem bloqueadas as negociações diplomáticas e continua a disputa pelo controlo do estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo, cuja perturbação tem contribuído para a subida dos preços da energia.

Trump tem acompanhado de perto as votações no Congresso e tem criticado publicamente os republicanos que se afastam da posição da Casa Branca.

Após uma votação semelhante realizada em junho, classificou como "oportunistas" os membros do seu partido que apoiaram a resolução e acusou-os de prejudicarem o país por motivos políticos.

Também no Senado têm surgido sinais de desconforto entre republicanos.

O senador Bill Cassidy afirmou recentemente que o Governo precisava de explicar melhor os objetivos da guerra, lembrando que o conflito deveria durar "quatro semanas" e já se prolonga há quatro meses.

Entretanto, sondagens recentes indicam que a maioria dos norte-americanos desaprova a forma como Trump está a conduzir o conflito com o Irão.

Um inquérito do jornal The Washington Post/Ipsos, divulgado este mês, concluiu que poucos eleitores consideram que a guerra tenha valido a pena, embora cerca de seis em cada dez republicanos continuem a apoiar a intervenção militar e acreditem que esta poderá impedir o Irão de desenvolver armas nucleares.