DNOTICIAS.PT
Madeira

'Vice' nacional do Chega acha que "Governo da República não liga nenhuma às regiões autónomas"

Os deputados à Assembleia da República Francisco Gomes, Pedro Pinto e Eduardo Teixeira, intercalados pelo presidente da Câmara de São Vicente, José Carlos Gonçalves, e pelo líder regional do Chega, Hugo Nunes.
Os deputados à Assembleia da República Francisco Gomes, Pedro Pinto e Eduardo Teixeira, intercalados pelo presidente da Câmara de São Vicente, José Carlos Gonçalves, e pelo líder regional do Chega, Hugo Nunes.

O vice-presidente da direcção nacional do Chega e líder parlamentar na Assembleia da República, Pedro Pinto, acusou o Governo da República de esquecer a Região Autónoma da Madeira, apontando como exemplo o subsídio social de mobilidade, já aprovado no parlamento nacional mas ainda sem aplicação prática, o que continua a penalizar os madeirenses nas deslocações para o continente. As declarações foram feitas à entrada das primeiras Jornadas Autárquicas Regionais do Chega-Madeira, que decorrem neste sábado numa unidade hoteleira do Funchal.

"O Governo da República não liga nenhuma às regiões autónomas", afirmou Pedro Pinto, considerando que o executivo liderado por Luís Montenegro está a "defraudar" madeirenses e açorianos ao não pôr em prática uma medida já aprovada. Para o dirigente nacional, este é um dos exemplos que distinguem o Chega dos restantes partidos, que, em seu entender, são incapazes de confrontar o Governo da República sobre estes assuntos.

Pedro Pinto sublinhou a importância que as jornadas autárquicas assumem para o Chega a nível nacional. Pouco antes do arranque deste evento, o dirigente nacional teve oportunidade de reunir-se com o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, José Carlos Gonçalves, eleito pelo Chega, que, por motivos de agenda, não pôde participar nas jornadas. O vice-presidente da direcção nacional ficou com uma "percepção bastante positiva" da forma como decorre a gestão naquele concelho nortenho. Segundo Pedro Pinto, está em curso uma auditoria às contas da anterior Câmara Municipal de São Vicente, cujos resultados deverão ficar concluídos entre o final deste ano e o início do próximo, conforme lhe foi transmitido pelo próprio presidente da autarquia. Confrontado pelos jornalistas com as notícias que davam conta de uma realidade diferente na gestão do concelho, Pedro Pinto colocou em causa a exactidão dessa informação, reafirmando a confiança no trabalho realizado pelo executivo camarário. O dirigente chegou mesmo a classificar São Vicente como "um exemplo de transparência e proximidade" que deveria ser seguido no plano nacional.

O responsável nacional do partido aproveitou ainda para elogiar o desempenho dos autarcas eleitos pelo Chega na Região, citando os casos de Câmara de Lobos e da Assembleia Municipal do Funchal, e recordou que a estrutura regional madeirense tem agora uma nova liderança, presidida por Hugo Nunes, na sequência de eleições internas em que apenas uma lista se apresentou a sufrágio. Questionado sobre a tentativa de Magna Costa em apresentar uma lista alternativa, entretanto rejeitada, e sobre um processo de expulsão em que é visada, Pedro Pinto esclareceu que a candidata a candidata estava suspensa pelo Conselho de Jurisdição do partido no momento em que pretendeu concorrer, razão pela qual a sua lista não foi aceite. Quanto ao andamento do processo de expulsão, remeteu quaisquer esclarecimentos adicionais para aquele órgão.

Pedro Pinto terminou reafirmando o apoio da direcção nacional à nova Comissão Política Regional liderada por Hugo Nunes, elogiando o grupo parlamentar madeirense do Chega, com três deputados, e o conjunto de autarcas eleitos pelo partido na Região, que classificou como uma equipa unida e preparada para dar continuidade ao trabalho já iniciado.

Já na sessão de abertura das jornadas, o líder do Chega-Madeira, Hugo Nunes, agradeceu o apoio da direcção nacional e do presidente do partido, André Ventura, bem como a presença de Pedro Pinto e do também deputado à Assembleia da República Eduardo Teixeira, considerando que este primeiro encontro autárquico regional do partido, organizado pela nova Comissão Política Regional, representa "o início de um novo ciclo político" para a estrutura madeirense.

Hugo Nunes defendeu que o Chega-Madeira assume, desde 28 de Junho, a responsabilidade de construir uma alternativa para o poder local e para o Governo Regional, criticando o que descreveu como décadas de política autárquica dominada sempre pelos mesmos protagonistas e pelas mesmas promessas. Para o líder regional, a Madeira mudou e a política tem de acompanhar essa mudança, cabendo ao Chega devolver transparência à gestão pública e recolocar a população no centro das decisões.

O dirigente apontou cinco prioridades para o projecto autárquico do partido: transparência na aplicação do dinheiro dos contribuintes e no escrutínio de contratos e concursos públicos; segurança e qualidade de vida, com espaços públicos seguros e protecção para os idosos; habitação, com um papel mais activo dos municípios na disponibilização de terrenos e na simplificação do licenciamento para aumentar a oferta habitacional; mobilidade, garantindo deslocações rápidas e seguras entre freguesias e a manutenção das vias municipais; e apoio às famílias, empresas e comércio local, defendendo autarquias "facilitadoras" e menos burocracia para quem investe.

Hugo Nunes sublinhou que o Chega-Madeira conhece de perto a realidade de cada zona da Região e está próximo dos agricultores, pescadores, empresários, trabalhadores, jovens e reformados. O líder regional defendeu um modelo de governação assente no mérito, sem favorecimentos por amizades políticas, e apontou as próximas eleições autárquicas como decisivas para o futuro da Região, garantindo que o partido continuará a fazer, entretanto, uma oposição que descreveu como "feroz, combativa e fiscalizadora" ao Governo Regional de Miguel Albuquerque.